Enquanto milhões de moradores em cidades brasileiras esperam por obras, investimentos e serviços públicos financiados por emendas parlamentares, uma guerra silenciosa se instala nos bastidores de Brasília entre o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. O estopim do conflito é a decisão do governo federal de barrar pelo menos R$ 11 bilhões em emendas aprovadas no Orçamento da União.
O relator do Orçamento de 2026, deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL), reagiu nesta terça-feira afirmando que o Congresso não extrapolou limites legais ao aprovar o volume de emendas.
— “Não houve excesso. Nenhum limite foi ultrapassado”, disse ao jornal O Globo, em resposta à decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de vetar parte dos recursos.
O bloqueio será feito por meio de vetos ao texto aprovado pelo Congresso, além de bloqueios e remanejamentos de verbas. O prazo final para sanção do Orçamento termina nesta quarta-feira, o que aumenta ainda mais a tensão política.
Segundo Bulhões, os valores destinados às emendas seguiram rigorosamente as regras:
— “O limite das emendas individuais, de bancada e de comissão foi respeitado: o valor do ano anterior corrigido pelo IPCA. Não houve excesso”, afirmou.
Com o veto presidencial, o total de recursos destinados às emendas deve cair para cerca de R$ 50 bilhões, incluindo as chamadas “emendas paralelas”, que são contabilizadas nos ministérios, mas têm destinação definida por parlamentares para seus redutos eleitorais.
Apesar da divergência, o relator minimizou o conflito institucional:
— “Vetar é legítimo. Assim como cabe ao Congresso a palavra final, podendo manter ou derrubar os vetos”, disse.
O impasse surge justamente no momento em que Lula tenta reaproximar-se do Legislativo, em articulação política com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mirando a estabilidade para o ano eleitoral.
No mês passado, porém, o presidente deixou clara sua insatisfação com o poder do Congresso sobre o Orçamento:
— “Eu sinceramente não concordo com as emendas impositivas. O fato de o Congresso sequestrar 50% do Orçamento da União é um grave erro histórico”, declarou Lula.
Enquanto Brasília vive essa queda de braço bilionária, prefeitos e populações nos municípios seguem aguardando que os recursos prometidos em obras, saúde, estradas e infraestrutura cheguem, de fato, às cidades.
