Morre Raul Jungmann, ex-ministro e ex-deputado federal; política brasileira entra em luto

Blog do  Amaury Alencar
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 A política brasileira amanheceu de luto neste domingo (18) com a morte do ex-ministro e ex-deputado federal Raul Jungmann, aos 73 anos, em Brasília. Ele estava internado no hospital DFStar, onde tratava um câncer no pâncreas diagnosticado há mais de dois anos.

Com uma trajetória marcante na vida pública nacional, Jungmann ocupou posições estratégicas no Executivo e no Legislativo. No governo Fernando Henrique Cardoso, foi ministro da Reforma Agrária e do Desenvolvimento Agrário, período em que ganhou projeção ao conduzir políticas de assentamento rural em meio a intensos conflitos no campo.

Anos depois, retornou ao primeiro escalão como ministro da Defesa e, posteriormente, como ministro da Segurança Pública, já no governo Michel Temer, sendo um dos responsáveis pela criação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).

INICIATIVA PRIVADA

Após deixar a política institucional, Jungmann passou a atuar no setor privado e presidia o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), cargo que exerceu até o agravamento de seu estado de saúde. Reconhecido pelo perfil técnico e pela capacidade de articulação, deixou contribuição relevante nos debates sobre desenvolvimento, defesa nacional, segurança pública e governança institucional.

Natural do Recife, onde nasceu em 3 de abril de 1952, Jungmann iniciou sua formação em psicologia pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), curso que não concluiu em razão do engajamento político. Ainda jovem, militou no Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e participou ativamente da resistência à ditadura militar e da campanha das Diretas Já. Filiado ao MDB nos anos 1970, consolidou sua carreira como uma das principais lideranças do PPS, atual Cidadania, legenda que ajudou a fundar e dirigir.

CARGOS PÚBLICOS

Nos anos 1990, ocupou cargos estratégicos na administração pública, como secretário de Planejamento de Pernambuco, secretário-executivo do Ministério do Planejamento no governo Itamar Franco e presidente do Ibama. No Legislativo, foi deputado federal por Pernambuco em duas legislaturas consecutivas (2003–2010), vereador do Recife (2012–2014) e voltou à Câmara como suplente em 2015, com atuação destacada nas áreas de defesa, relações exteriores e segurança.

À frente do Ministério da Defesa, Jungmann coordenou processos de modernização das Forças Armadas e operações de Garantia da Lei e da Ordem. Em 2018, assumiu o recém-criado Ministério Extraordinário da Segurança Pública, em um dos momentos mais críticos da segurança no país.

Nota de pesar

Em nota, o Ibram lamentou a morte de seu diretor-presidente e informou que, por desejo de Jungmann, o velório será restrito a familiares e amigos próximos. A entidade destacou a dedicação do dirigente à democracia, ao diálogo e ao desenvolvimento sustentável, ressaltando sua competência, visão estratégica, capacidade de articulação e o legado ético deixado não apenas para o setor mineral, mas para toda a vida pública brasileira.

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