Delegada de SP é presa sob suspeita de ligação com o PCC

Blog do  Amaury Alencar
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Uma delegada recém-empossada foi presa na manhã desta sexta-feira (16) sob suspeita de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). A detenção foi feita durante operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Corregedoria-Geral.

Layla Lima Ayub mantinha vínculo pessoal e profissional com membros da facção criminosa, tendo, inclusive, atuado irregularmente como advogada, em audiência de custódia, para presos integrantes do PCC, mesmo após ter tomado posse no cargo de delegada de polícia, segundo investigação da Promotoria.

Ela havia sido empossada em dezembro de 2025, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital paulista, com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na ocasião, 524 novos delegados foram nomeados.

A delegada foi presa em São Paulo e levada para a Corregedoria da Polícia Civil. De acordo com a investigação, ela namora um suspeito de integrar o PCC.

A reportagem tenta contato com a defesa dela. Procurada na manhã desta sexta, a Secretaria da Segurança Pública não havia se manifestado até a publicação deste texto.

Em suas redes sociais, Layla diz que já atuou como policial militar no Espírito Santo e como consultora jurídica. Como havia sido nomeada em dezembro, ela ainda fazia o curso de fomação de delegados, que tem duração de seis meses.

A operação também cumpre sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e de Marabá (PA), expedidos pela 2ª Vara Especializada de Crime Organizado da Capital. Um dos locais foi a Academia da Polícia Civil, na capital paulista.

Há, ainda, um mandado de prisão temporária contra um integrante do PCC que estava em liberdade condicional. Jardel Neto Pereira da Cruz, o Dedel, é o faccionado preso.

“Além da economia formal, o crime organizado tem também se infiltrado em carreiras públicas e estruturas de Estado. Mas em São Paulo, graças aos setores de inteligência, isso tem sido coibido”, disse o Procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio Oliveira e Costa, em nota.

Antes de passar no concurso de delegada, Ayub era advogada em Marabá, considerado um dos poucos redutos do PCC no Pará. Formalmente, ela ainda é casada com um delegado de Polícia Civil paraense. Ela teria se separado dele após conhecer Dedel, com quem teria iniciado um relacionamento amoroso.

Dedel foi condenado por integrar organização criminosa e tráfico de drogas. Ele seria membro declarado do PCC, segundo informações repassadas pela Secretaria de Administração Penitenciária do Pará a autoridades paulistas. Uma tatuagem com o símbolo da facção, o ying-yang, também corrobora a filiação dele, segundo o MPSP.

Dedel e Ayub viajaram juntos de ônibus de Marabá a São Paulo no dia 4 de dezembro. Ele, inclusive, esteve na posse de delegados da Polícia Civil no Palácio dos Bandeirantes, cerimônia que contou com a presença do governador, em 19 de dezembro.

Os dois foram presos juntos em uma pensão no Butantã, na zona oeste, onde viviam desde que se mudaram para São Paulo.

As autoridades também receberam informações de que Dedel e Ayub teriam acabado de comprar parte de uma sociedade em uma padaria em Itaquera, na zona leste de São Paulo. O Gaeco investiga essa possível aquisição e se havia intenção de usar a empresa para lavagem de dinheiro. (Folhapress)

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