
A crescente precarização e o impacto das transformações no mundo do trabalho foram temas centrais na cerimônia que oficializou Ana Valéria Targino de Vasconcelos como procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho no Ceará (MPT-CE), realizada na terça-feira (25), em Fortaleza.
A mesma cerimônia empossou as procuradoras Giselle Alves e Christiane Nogueira como vice-procuradora-chefe e procuradora-chefe eventual, respectivamente. Durante o evento, autoridades ressaltaram a pressão crescente sobre direitos trabalhistas, especialmente diante do aumento da pejotização e de mudanças recentes no entendimento jurídico sobre temas laborais.
Ao assumir a chefia, Ana Valéria evocou a herança histórica do Ceará como primeiro estado a abolir a escravidão e relacionou esse simbolismo à missão atual do MPT.
“Assumir o Ministério Público do Trabalho no Ceará é honrar essa tradição libertária. O sol brilha forte, mas a sombra da desigualdade social ainda persiste. É justamente onde a dignidade humana corre risco de ser ofuscada pela exploração que devemos atuar”, afirmou.
Ela também citou como prioridades o enfrentamento à informalidade, às novas dinâmicas do trabalho por plataformas digitais, às práticas de discriminação e a crimes como tráfico de pessoas, trabalho escravo, assédio moral e sexual. “
“É preciso um olhar atento, crítico e humanizado para garantir que os direitos de trabalhadores e trabalhadoras não sejam corroídos pelas transformações do presente”, declarou.
A nova procuradora-chefe encerrou reforçando o compromisso com políticas afirmativas, uso estratégico de dados, diálogo social e aproximação com a sociedade como pilares da nova gestão.
A solenidade reuniu autoridades do sistema de Justiça, representantes de entidades e membros da sociedade civil no auditório da Procuradoria Regional do Trabalho da 7ª Região.
Por Querol Carvalho