
O maior escândalo de desvio de recursos da Previdência Social brasileira ganhou novos contornos com o detalhamento, pela Polícia Federal, da estrutura da suposta organização criminosa que atuou por meio da Conafer (Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais).
A Conafer recebeu, em 2019, conforme as investigações da PF e da CGU (Controladoria Geral, um total de R$ 400 mil, passando, em 2024, para R$ 270 milhões. Os descontos, em quase sua totalidade, não tiveram autorização de aposentados e pensionistas.
Segundo a PF, o grupo fraudou R$ 640 milhões de aposentados e pensionistas apenas dentro da estrutura da entidade, por meio de descontos associativos ilegais entre 2019 e 2024.
TRISTEZA E ALEGRIA
O repórter Carlos Silva, ao participar do Jornal Alerta Geral, faz um relato sobre a operação da Polícia Federal, enquanto, em seu comentário, o jornalista Luzenor de Oliveira expõe o misto de tristeza e alegria nesse contexto de escândalo
Segundo o jornalista, tristeza para aposentados e pensionistas, vítimas de uma quadrilha que desviou bilhões de reais, enquanto o sentimento de alegria é exposto com a frustração de alguns que apostaram na impunidade e, agora, encontraram as portas da cadeia.
ROMBO DE R$ 6,3 BILHÕES
Somando todas as associações e sindicatos suspeitos do esquema, o rombo pode alcançar R$ 6,3 bilhões, conforme estimativas da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU) — um desfalque que atingiu milhares de beneficiários do INSS em todo o país.
a parte ligada à Conafer foi o foco da quarta fase da Operação Sem Desconto, com autorização do ministro do STF André Mendonça. A investigação dividiu a organização criminosa em três núcleos, com divisão clara de tarefas, hierarquia e distribuição de funções:
• Núcleo de comando
• Núcleo financeiro
• Núcleo político e de apoio
ESQUEMA DE FRAUDES
De acordo com a PF, no topo da estrutura está Carlos Lopes, presidente da Conafer e apontado como “líder e mentor intelectual do esquema criminoso”. Segundo a investigação, ele orientava funcionários a coletar assinaturas de idosos para fichas falsas de filiação, dando aparência de legalidade aos descontos em folha.
A investigação aponta ainda que Carlos Lopes tinha poder decisório sobre todos os demais núcleos e era responsável por manter a cadeia de pagamentos ilícitos. O STF determinou sua prisão, mas ele não havia sido localizado até a noite desta quinta-feira.
O irmão dele, Tiago Abraão Ferreira Lopes, vice-presidente e diretor de Finanças da Conafer, foi preso nesta quinta. Ele integrava o núcleo executivo e, segundo a PF, tinha acesso direto ao sistema da Dataprev/INSS, por onde enviava listas fraudulentas de beneficiários para inserir descontos associativos não autorizados. A decisão do STF não esclarece como ele obteve acesso ao sistema, que deveria ser restrito a servidores públicos.
Os relatórios da Polícia Federal apontam que Tiago recebeu R$ 5,5 milhões diretamente da Conafer entre 2019 e 2024, além de valores pagos por outra entidade, evidenciando enriquecimento ilícito.
Ceará Agora