O julgamento do processo que pede a cassação do prefeito de Iguatu, Carlos Roberto Costa Filho (PSDB), e de seu vice, Antônio Ferreira de Souza, foi adiado nesta sexta-feira, 24, no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará – TRE-CE.
A sessão, que ocorreu na sede do tribunal em Fortaleza, contou com a presença de Roberto Filho. A presidente do TRE-CE, Maria Iraneide Moura Silva, atendeu ao pedido de vista do desembargador Luis Evaldo Gonçalves Leite, adiando a análise do caso.
O desembargador explicou que o pedido foi motivado pela complexidade do processo. “Presidente, o voto do eminente relator, como ele próprio disse, é longo e se sabe que não é uma matéria simples. É uma matéria de alta complexidade. Eu não tive acesso suficiente ao processo porque fui convocado tarde e gostaria de pedir vista, se for possível, para fazer uma análise mais aprofundada, como sempre faço”, afirmou.

Prefeito se manifesta
Em suas redes sociais, Roberto Filho comentou a audiência. “Na vida pública, nem sempre o caminho é fácil. Às vezes, surgem desafios, injustiças e aprovações que tentam nos abalar. Mas eu sigo de cabeça erguida, com o coração tranquilo, porque sei em quem tenho crido. Confio em Deus, na justiça e no trabalho que estamos fazendo por Iguatu. Cada obra, cada ação, cada gesto de cuidado com o nosso povo fala mais alto do que qualquer mentira. E é assim que eu escolho caminhar: com fé, com coragem e com a consciência limpa de quem faz o bem sem olhar pra trás. Continuamos firmes, acompanhando pessoalmente o julgamento no TRE”, publicou.

Processo
O caso remonta ao parecer da Procuradoria Regional Eleitoral no Ceará (PRE-CE), emitido em 22 de setembro de 2025, que recomendou a cassação dos diplomas do prefeito e de seu vice por suposto abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio durante as eleições de 2024. Segundo o órgão, a chapa teria atuado em conluio com membros de uma organização criminosa.
O parecer, assinado pelo procurador regional eleitoral Samuel Miranda Arruda, detalha que a advogada Márcia Rúbia Batista Teixeira teria negociado o pagamento de R$ 10 mil a um integrante de facção criminosa em Iguatu para a indicação de um coordenador de bairro, que realizaria atividades típicas de campanha. O valor foi repassado de forma dissimulada, sem registro na prestação de contas da campanha.
Além disso, o escritório da advogada teria funcionado conforme a denúncia como um comitê eleitoral paralelo, com reuniões estratégicas, distribuição de materiais de campanha e pagamentos a ativistas. Depoimentos e imagens de câmeras de segurança reforçaram a atuação da advogada como peça-chave da campanha.
A Procuradoria classificou a negociação com a facção como uma grave violação da integridade do processo democrático, citando precedentes do TRE-CE e do TSE, como o caso de Santa Quitéria, que resultou na cassação de prefeito e vice por envolvimento de facção criminosa.

Andamento judicial
Em julho deste ano, a 13ª Zona Eleitoral de Iguatu havia confirmado os mandatos do prefeito e do vice, rejeitando as teses da defesa sobre parcialidade policial ou falta de competência da Justiça Estadual. No entanto, um novo depoimento da advogada Márcia Teixeira, anexado ao processo naquele mês, alterou o andamento do caso, reforçando a necessidade de análise pelo TRE-CE.
Com o pedido de vista do desembargador, não há previsão imediata para a retomada do julgamento, que seguirá para nova sessão após a análise detalhada do processo.
Jornal a Praça