Inaugurado painel em homenagem ao casal Sanford no Museu do Eclipse, em Sobral

Blog do  Amaury Alencar
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O Museu do Eclipse, em Sobral, ganhou um novo marco histórico. Foi inaugurado, no último 22 de outubro, o painel em homenagem ao casal John Roshore Sanford e Minerva Sanford, figuras ligadas à história do fenômeno astronômico que comprovou a Teoria da Relatividade de Albert Einstein em 1919. A instalação, com 1,25 metro de altura e 80 centímetros de largura, foi assinada por Alexandre Fontenelle Vasconcelos e Carmen Silvia Fontenelle de Mendonça, descendentes da família Sanford.

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Painel em homenagem ao casal Sanford é inaugurado no Museu do Eclipse, em Sobral. A cerimônia reforça o legado da família na cidade, que já dá nome a uma das principais avenidas e é lembrada em instituições locais. Foto: Arquivo Pessoal

A cerimônia contou com agradecimentos ao prefeito de Sobral, Oscar Spíndola Rodrigues Júnior, à Secretaria da Educação, representada por Cynira Kézia Rodrigues Ponte Sampaio, e ao professor Emerson Ferreira de Almeida, mestre em Física da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), reconhecido pela colaboração com as pesquisas sobre o papel da família Sanford no contexto do Eclipse de Sobral.

Conheça a história de John Sanford

Nascido em 12 de março de 1864, no Brooklyn (Nova Iorque), John Roshore Sanford chegou ao Brasil em 1889 para administrar a indústria Keen Sutterly & Co uma multinacional, no ramo cortumes., em Recife, tendo como principal empregado o hoje, celebre Delmiro Gouveia. Em 1892, mudou-se para Fortaleza e, no mesmo ano, estabeleceu-se em Sobral, onde se casou com Minervina de Almeida Monte, integrante da alta sociedade local, ramificando uma filial da empresa americana.

John Roshore Sanford, nascido em 1864, em Nova York, chegou ao Brasil em 1889 como representante da empresa americana Keen Sutterly & Co. Após atuar em Recife ao lado de Delmiro Gouveia, expandiu os negócios para Fortaleza e Sobral, impulsionando a economia local com a exportação de couros e peles. Em 1893, casou-se com Minervina de Almeida Monte, unindo-se à sociedade sobralense. Foto: Acervo Pessoal

Visionário, Sanford fundou em 1908 a primeira usina de açúcar do Ceará, no Sítio Monte, localizado na Serra da Meruoca. O empreendimento, considerado um marco de inovação tecnológica na época, trouxe maquinários importados dos Estados Unidos e impulsionou a economia regional.

Segundo relatos familiares, o transporte das máquinas — do porto de Camocim até o alto da serra — durou três meses, envolvendo dezenas de trabalhadores e animais de carga. No local, eram produzidos açúcar refinado, rapadura, a e derivados da cana-de-açúcar e aguardentes. A usina funcionou até 1937, quando foi desativada por determinação do Instituto do Açúcar e do Álcool, durante o governo Getúlio Vargas.

Após encerrar as atividades no setor, Sanford passou a colaborar com o governo estadual em obras de infraestrutura e estradas, incluindo a construção dos trechos Sobral–Meruoca, Meruoca–Massapê e Patos a Itapajé, os açudes Patu, Orós, e o porto de Fortaleza

Memória

John Sanford faleceu em 1961, aos 97 anos, deixando 11 filhos e uma descendência que hoje ultrapassa 200 familiares. Sua trajetória é contada em detalhes no livro “A Família Sanford no Ceará”, escrito por Paulo de Almeida Sanford, filho do engenheiro e ex-prefeito de Sobral por duas gestões.

A Obra-Prima da família Sanford
Casa Casal Sanford: Vital para logística do eclipse

O legado da família também está preservado no Sítio Monte, que mantém parte da estrutura original da antiga usina, como o engenho, armazéns e casa de farinha. O espaço é considerado um símbolo da história econômica e afetiva da região.

Os cientistas para fugir do sol escaldante de Sobral , iam para a Serra da Meruoca , principalmente no Sítio Monte. Os translados eram realizados pelo veículo Packard , fornecido pelo Governo Federal

Sítio Monte: da esquerda para direita : Morize é o quarto e Davidson é o sexto

A importância histórica do casal Sanford

John Sanford, norte-americano radicado em Sobral, e sua esposa Minerva desempenharam papel relevante nos bastidores da expedição científica de 1919. O casal hospedou o diretor do Observatório Nacional, Henrique Morize, e parte da equipe brasileira, americana e suas esposas, além de colaborar com cientistas ingleses e americanos que participaram das medições da deflexão da luz das estrelas — fenômeno que comprovou a teoria de Einstein.

Casamento em 18 / 11 /1893: O Casal Sanford recebe cientistas ingleses no Sítio Monte, em Sobral, durante expedição que registrou fotos históricas do eclipse. A luneta usada na ocasião está exposta no Museu do Eclipse. Foto: Acervo Pessoal

A casa da família, hoje sede do Colégio Ribeiro Ramos, foi tombada em 28 de outubro de 1999 pelo IPHAN, integrando o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da Cidade de Sobral. Localizada a cerca de 250 metros da Praça do Patrocínio, onde os telescópios foram instalados, a residência foi considerada estratégica para a logística do evento científico.

Reconhecimento e pesquisa científica

Segundo o professor Emerson Ferreira, Henrique Morize foi o responsável por preparar toda a infraestrutura da expedição, escolhendo Sobral pela existência de linha férrea e telégrafo — fatores essenciais para a comunicação e o transporte dos equipamentos. Morize teria se correspondido com autoridades locais e cientistas, mas não há registros diretos de cartas com John Sanford, possivelmente devido à barreira linguística.

Em estudos desenvolvidos em 2015, Emerson levantou a hipótese de que John Sanford teria confeccionado as bases dos telescópios usados na medição da luz das estrelas, com base em três evidências: a proximidade de sua casa em relação ao local da observação, sua formação no Instituto Politécnico de Brooklyn e sua experiência técnica na instalação da primeira usina de açúcar do Ceará, no Sítio Monte — propriedade da família desde 1860.

                       Os telescópios e os suportes de madeira: Estação Britânica

       “O certo é que se for provado que o americano fez as bases dos telescópios, a sua contribuição passa a ser técnica diretamente ligada à Ciência e à Teoria de Einstein. O seu “último” feito sairá de Sobral para o mundo. Na verdade, os telescópios tinham que ter o encaixe perfeito nas bases, de maneira que não dessem nenhuma diferença na medida para o cálculo da deflexão da luz e como dito anteriormente somente o americano tinha as aptidões para essa tarefa na época”. Alexandre Fontenelle Vasconcelos

Pesquisas e resgate histórico

Em 2016, Carmen Silvia Fontenelle de Mendonça e Alexandre Fontenelle Vasconcelos visitaram o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) e o Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, em busca de registros e correspondências de Henrique Morize. Apesar das buscas, os apontamentos sobre John Sanford não foram localizados. O casal também pretende avançar nas investigações junto à Universidade de Cambridge e ao Observatório de Greenwich, na Inglaterra, onde parte dos diários do astrônomo Andrew Crommelin está arquivada.

MAST e ON – RJ: Da esquerda para direita: Carmen Silvia a primeira e Alexandre o penúltimo. Foto: Acervo Pessoal

O casal Sanford também é citado em referências como o livro “Einstein: De Sobral para o Mundo” e em um artigo publicado no Jornal do Brasil, em 4 de abril de 1979, pelo astrônomo Ronaldo Mourão. A família Sanford tem o diário resumo (The Eclipse Expedition To Sobral) do chefe da equipe inglesa, Andrew Crommelin. Nesse diário de apenas quatro páginas ele cita o americano. John Sanford.

Legado preservado

Antes do painel no Museu do Eclipse, a família Sanford já havia sido homenageada em 12 de dezembro de 2023, quando o Colégio Ribeiro Ramos inaugurou o Auditório John Sanford, paniel John Sanford, quadro da casa do casal Sanford e uma placa de vidro destacando os cientistas hospedados na casa do casal.

      Em 12/12/2023 a família inaugurou no Colégio Ribeiro Ramos , ex casarão da família Sanford , o auditório e o painel Jonh Sanford um quadro com a casa original , assim como , na parte frontal com uma placa de vidro , os cientistas que ficaram hospedados na casa do casal Sanford. Foto: Acervo Pessoal

Além disso, a cidade conta com a Avenida John Sanford, instituída em 1966 pelo então prefeito Cesário Barreto Lima, reforçando o vínculo histórico entre o nome Sanford e a memória científica de Sobral.

A obra-prima da família Sanford

“A família Sanford pode ser uma família qualquer mas nenhuma família qualquer é como a família Sanford”. Alexandre Fontenelle Vasconcelos

Contato: Alexandre Fontenelle Vasconcelos

(61)9.81788127

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