
O deputado federal Luiz Gastão (PSD) divulgou, na noite de ontem (6), uma nota oficial “Em Defesa do Equilíbrio Institucional e da Democracia”. O conteúdo do texto é uma manifestação da “profunda preocupação” do parlamentar, que também é presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio CE), com a “instabilidade institucional” gerada por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF)
“Manifestamos nossa profunda preocupação diante dos recentes episódios que vêm sendo protagonizados por ministros do Supremo Tribunal Federal, os quais têm gerado um crescente ambiente de instabilidade institucional em nosso País”, traz a nota, também assinada pelos deputados federais Joaquim Passarinho (PL), Gilberto Nascimento (PSD) e Domingos Sávio (PSD).
Os deputados federais afirmam ainda que as ações do STF “têm provocado efeitos danosos à economia nacional, afetando diretamente o ambiente de negócios, a segurança jurídica, a confiança de investidores e o cotidiano de milhões de brasileiros, trabalhadores e empreendedores”.
Na prática, a nota se aproxima do discurso do grupo aliado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que culpam o STF pelo tarifaço imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump, a produtos brasileiros.
Ao anunciar o aumento de tarifas, Trump ligou o ato ao avanço de investigações contra Bolsonaro. A medida foi articulada pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), que se encontra nos Estados Unidos atuando por sanções contra os adversários de seu pai e contra a economia brasileira.
“Vivemos um cenário que demanda mediação urgente e o distensionamento das polarizações que tanto prejudicam o Brasil. A harmonia entre os Poderes da República é pilar essencial para a democracia e precisa ser preservada”, traz a nota.
Luiz Gastão ainda destaca que o Senado Federal tem o “dever de fiscalizar e conter excessos do Supremo Tribunal Federal”. “Diante disso, solicitamos que o Senado, no exercício de suas atribuições, busque a mediação com o propósito de mantermos a democracia e a harmonia entre os Poderes, restabelecendo a ordem constitucional”, encerra.
No Ceará e em Fortaleza, o PSD, do deputado Luiz Gastão, está na base das gestões petistas do governador Elmano de Freitas e do prefeito Evandro Leitão. Em Fortaleza, o partido tem a vice-prefeita, Gabriella Aguiar (PSD), e, no Governo, tem Domingos Filho no comando da Secretaria do Desenvolvimento Econômico
A nota de Gastão foi curtida pelo vereador Paulo Martins (PDT) e pelo secretário municipal de Relações Comunitárias, André Barbosa.
Senado e Câmara Federal ocupados
Desde a última terça-feira (5), o Congresso Nacional tem sido palco de manifestações contrárias à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Deputados e senadores têm atuado para impedir a realização de sessões.
Eles ocuparam as mesas diretoras dos plenários do Senado e da Câmara Federal e prometem permanecer no local até que os presidentes das duas Casas aceitem pautar a “anistia geral e irrestrita” para os condenados por tentativa de golpe de Estado. Outra demanda do grupo é que seja pautado o impeachment do ministro Alexandre de Moraes (STF), relator do caso na Corte e responsável por decretar a prisão de Bolsonaro.
Entre os senadores que estão ocupando o Senado, está o cearense Eduardo Girão (PL). Cotado para disputar o governo do Ceará em 2026 pela oposição, o senador está intensificando sua atuação em defesa de Bolsonaro, incluindo ataques aos ministros do STF, especialmente contra Alexandre de Moraes.
A atuação de Girão chamou a atenção do deputado federal André Fernandes (PL), que assumirá o comando do PL no Ceará em breve.
“Eu não poderia deixar de reconhecer, mais uma vez, que, dos três senadores do Ceará, apenas um está honrando o cargo que ocupa: Girão é o único com coragem e favorável ao impeachment de Moraes. Os outros dois, Cid Gomes e Augusta (suplente de Camilo Santana), são uma vergonha”, afirmou André Fernandes, ontem, em suas redes sociais.
Cid e a retroescavadeira
Por outro lado, o senador Cid Gomes (PSB), em tom de brincadeira, se prontificou a usar uma retroescavadeira para tirar os parlamentares bolsonaristas que estão ocupando as Casas legislativas. A declaração foi dada após reunião de líderes convocada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), para resolver o impasse.
Em 2020, Cid Gomes utilizou uma retroescavadeira para desocupar o batalhão policial invadido por agentes de segurança amotinados, em Sobral. O maquinário foi utilizado para derrubar o portão do local, que estava sendo segurado pelos agentes. Na ocasião, ele foi baleado e na costela e no pulmão esquerdo.
(Por Maurício Moreira)