
O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) esteve na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) nessa terça-feira (6) para se encontrar com deputados estaduais da oposição, participando do chamado “café da oposição”, reunião semanal promovida por parlamentares do PDT, do União Brasil e do PL, no qual recebem lideranças oposicionistas do Ceará e discutem política, inclusive as articulações para as eleições de 2026 no estado.
Ciro voltou a afirmar que não pretende ser candidato a cargos políticos novamente, nem mesmo a presidente da República, mas ressaltou que não vai se eximir de “cumprir um papel” em meio a essas articulações. “Alguns amigos generosos lembram meu nome, eu não pretendo ser candidato a nada, mas, à luz dessa salvação do Ceará, eu não posso me eximir de cumprir meu papel”, disse em entrevista coletiva após o encontro com os deputados.
Ciro fez diversas críticas ao Governo do Estado nas áreas de economia, segurança, educação e saúde, falando em uma necessidade de “salvar o Ceará”. Ele defendeu a aliança do PDT com o União Brasil e o PL para a formação de uma chapa unificada para se contrapor à possível candidatura à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). O ex-ministro falou ainda sobre a superação das “diferenças” com esses novos aliados, que já foram adversários do pedetista.
“Precisamos dar valor às nossas diferenças. Olhando a política nacional, são diferenças, às vezes, incontornáveis. Porém, se nós tivermos em atenção que nosso projeto é salvar o Ceará, essas diferenças podem ser tratadas de uma forma correta, respeitosa e leal e que a gente estabeleça pontes e convergências para a política no Ceará”, afirmou Ciro.
O ex-ministro defendeu como possíveis nomes na chapa da oposição o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), como candidato ao Governo do Estado, e o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), que é pai do deputado federal André Fernandes (PL), como candidato ao Senado. Ciro fez elogios a ambos.
“Meu partido tem um candidato, que eu acho que está qualificado, que é o Roberto Cláudio. O PL apresenta como possível candidato ao Senado o Alcides, que tem todos os dotes e qualificações. Do jeito que nossos adversários estão organizando a chapa, lá não tem currículo, é ‘folha corrida’. Então, o Alcides salta longe, é um homem decente, uma pessoa nova na política”.
“Portanto, é uma montagem de chapa relativamente simples, especialmente pelo sentimento crescente de que o Ceará precisa ser salvo”, completou o pedetista.
Questionado sobre uma possível mudança de partido de Roberto Cláudio, que pode deixar o PDT e ir para outro partido em busca de viabilizar candidatura a governador, Ciro respondeu que ainda há algumas pendências quanto a isso, sem dar mais detalhes. “Há convites generosos, eu tô com ciúme, porque quero que ele fique comigo, mas se a luta é salvar o Ceará, cada um vai cumprir sua tarefa”, disse.
O ex-prefeito da Capital tem convite para se filiar à União Progressista, recém-formada federação que une União Brasil e PP e que promete ser uma força política importante na oposição ao PT a nível nacional e estadual.
Ciro ainda falou do ex-deputado federal e presidente estadual do União Brasil, Capitão Wagner, afirmando que ele “não pretende disputar, nestas eleições majoritárias, uma posição”. No entanto, Wagner disse sobre isso que “não tem nada definido”. Ele aponta a possibilidade de ser candidato a deputado federal novamente, mas não descarta pleitear um cargo majoritário, como governador do Estado ou senador.