A Região do Maciço de Baturité concentra os 96 casos confirmados, no Ceará, da febre oropouche. As cidades de Pacoti (28); Mulungu (26); Aratuba (22); Redenção (17) e Palmácia (03) concentram os casos, que até o momento são leves e sem nenhum óbito. As informações são do último Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde (Sesa) do Ceará, que afirmou também que a situação é “atípica”, tendo em vista que o Estado não é considerado região endêmica da doença.
Ainda segundo o documento, todos os pacientes relataram sinais e sintomas clássicos da febre de oropouche: uma síndrome febril quase sempre acompanhada por mialgias e cefaléia, entre outros achados. Dos casos confirmados, três são em gestantes. Um total de 57,2% dos casos são do sexo masculino, com idades entre 14 e 79 anos. A maioria dos casos confirmados reside ou frequenta a zona rural de seus municípios. Não foi registrada transmissão da doença entre pessoas.
A Febre do oropouche é uma doença viral transmitida pelo Culicoides paraensis, conhecido como “maruim”, “polvinha” ou “mosquito-pólvora”, entre outras denominações. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça e dores musculares, semelhantes aos de outras arboviroses, o que ressalta a importância de um diagnóstico diferencial por meios laboratoriais. Os sintomas da febre do Oropouche, de acordo com o Ministério da Saúde (MS), são parecidos com os da dengue e incluem dor de cabeça intensa, dor muscular, náusea e diarreia.
No Brasil
Neste ano, o Brasil registrou, até o fim de julho, 7.286 casos em 21 estados, quase 80% nas áreas endêmicas. A região amazônica, considerada endêmica, concentrou 78,4% dos casos registrados no país. A transmissão autóctone em estados extra-amazônicos foi registrada na Bahia, no Espírito Santo, em Santa Catarina, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Piauí, em Mato Grosso, em Pernambuco e no Maranhão e no Ceará.
O MS define a febre como doença causada por um arbovírus do gênero Orthobunyavirus, identificado pela primeira vez no Brasil, em 1960, a partir da amostra de sangue de um bicho-preguiça capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília. Desde então, casos isolados e surtos foram relatados no país, sobretudo na região amazônica.
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico, epidemiológico e laboratorial e todos os casos positivos devem ser notificados. Além de ser de notificação compulsória, a doença é classificada pelo ministério como de notificação imediata, “em função do potencial epidêmico e da alta capacidade de mutação, podendo se tornar uma ameaça à saúde pública”.
Tratamento
Não há tratamento específico para a febre do oropouche. A orientação das autoridades sanitárias brasileiras é de que os pacientes permaneçam em repouso, com tratamento sintomático e acompanhamento médico. Em caso de sintomas suspeitos, o MS pede que o paciente procure ajuda médica imediatamente e informe sobre uma exposição potencial à doença.
(Por Hyago Felix)