Por sete votos a zero, a executiva nacional do PDT aprovou intervenção e vai decidir os encaminhamentos da crise causada pela disputa pela presidência no Ceará. "No direito administrativo, é transferência de uma competência de uma instância inferior para instância superior", disse o deputado André Figueiredo (PDT), que aglutina a presidência estadual do Ceará e nacional.
Segundo ele, a presidência estadual agora vai ser dirigida pela executiva nacional e o diretório “trouxe para si a responsabilidade”. A reunião foi uma resposta às movimentações do senador Cid Gomes (PDT) e seus aliados que articulavam uma reunião na sexta-feira, 7, para destituir Figueiredo do cargo de presidente estadual.
O deputado disse que era uma movimentação ilegal e que poderia causar “consequências imprevisíveis”. Perguntado se seria uma tentativa de golpe, o pedetista foi enfático: “Se eu sou presidente do PDT até 31 de dezembro 2023 na certidão emitida pela Justiça Eleitoral e não há previsão estatutária de reunião de diretório para destituir executiva legitimamente eleita para um mandato, a tradução é muito simples”, disse ao fim do encontro.
O deputado federal Eduardo Bismarck, que fazia parte da comissão para mediar a crise pela presidência, ressaltou o clima ainda incerto diante da decisão. A aprovação seria para avaliar processos disciplinares, que, segundo ele, não existem e ainda não foram notificados.
Eles entendem que eles, do meu ponto de vista erroneamente que quando avocam eles estão avocando a decisão do diretório. Eu acho que judicamente isso não é previsto, eles poderia ter tomado outra atitude. De intervenção, de solução, era outra coisa”, afirmou o deputado.
Mesmo com a aprovação da executiva nacional, a reunião estadual da sexta-feira, 7, ainda pode acontecer para definir rumos da legenda. Da bancada federal, apenas dois deputados, Mauro Filho e Idilvan Alencar, não participou. Ex-ministro e presidenciável, Ciro Gomes, participou de forma virtual.
Os parlamentares estaduais também compareceram em peso sob a liderança de Cid. "O único parlamentar que poderia opinar (contrário)seria o senador Cid porque ele é o líder do PDT no Senado. O senador Cid trouxe um grande número de deputados estaduais e três federais. Eu não mobilizei ninguém porque eu não esperava", ressaltou Figueiredo.
Com informações de João Paulo Biage, correspondente de Brasília
o Povo