O período das férias é um momento bastante positivo para a economia local. Comerciantes aproveitam essa época para alavancar as vendas e assim conseguir crescer ainda mais seus empreendimentos. No Ceará, a Secretaria do Turismo (Setur) estima que a receita turística gerada durante as férias de julho será de R$ 1.1 bilhão para o Estado. Umas das principais movimentações de turistas e conterrâneos são nos espaços públicos da cidade.
No Complexo Cultural Estação das Artes, no Centro de Fortaleza, essa movimentação é ainda maior. De acordo com a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), responsável pelo equipamento, a expectativa é que o local alcance a marca de 13 mil visitantes neste mês de julho. Com uma programação extensa para todos os tipos de público, o local também atrai diversos comerciantes, que encontram uma oportunidade para aumentar a renda com a venda de comidas e bebidas. Apesar do cenário positivo, muitos ambulantes reclamam da falta de cadastramento no local.
A ambulante Maria Elizabeth, 59 anos, trabalha no entorno do Complexo Cultural Estação das Artes há mais de um ano. Segundo ela, as vendas aumentaram 100% nesse período, porém a falta de local fixo para os carrinhos de lanche acaba gerando confusão entre os comerciantes. “Ainda não estamos cadastrados, então quem chega primeiro consegue um espaço para vender os lanches, isso acaba gerando muita confusão entre os vendedores, é muito ruim essa desorganização e falta de segurança.Esse mês das férias é muito bom, conseguimos vender mil reais por dia vendendo refrigerantes, coco, bebidas alcoólicas e lanches”, relata a ambulante.
“Aqui no Complexo Cultural Estação das Artes o espaço é muito limitado, a administração não permite nos aproximarmos do portão onde há maior movimentação de público. Isso prejudica muito as nossas vendas, outro problema é que os portões são fechados antes mesmo de encerrar os shows, impedindo os visitantes de saírem para comprar bebida com os comerciantes do lado de fora”, afirma o ambulante Marcelo.
A equipe do Complexo Cultural informou que há um diálogo com os ambulantes para que eles não ocupem a entrada principal, dificultando o acesso do público, especialmente em dias de programações que geram filas e para que não se posicionem acima do piso podotátil, desrespeitando as normas de acessibilidade para pessoas com deficiência e que Os portões da Estação das Artes são fechados sempre 30 minutos antes do encerramento das atividades, por uma questão logística e de produção. “Não há nenhuma tentativa de impedir a aproximação dos vendedores de potenciais clientes, apenas uma orientação a fim de garantir a fluidez de acesso a todos os frequentadores. Para garantir a melhor experiência para o público, inclusive oferecendo comidas, bebidas e um quantitativo ideal de banheiros e ambulância, faz-se necessário limitar a quantidade de pessoas por evento. Assim, quando o espaço atinge sua capacidade máxima, quem sai deve pegar a fila novamente para garantir a possibilidade de acesso a todos. As pessoas que saem do equipamento faltando meia hora para encerrar a programação não podem mais retornar. Isso não as impede de comprar lanches do lado de fora, pelo contrário, incentiva-as. Além disso, dentro do Complexo, há também a possibilidade de compra de lanches nos seis restaurantes do Mercado AlimentaCE ”, afirma a gestão do equipamento.
Cadastramento
Em nota, a Secult afirma que existe um diálogo da gestão da Estação das Artes com a Secretaria Executiva Regional 12 para a implantação de um Plano de Ordenamento, mas cabe à Prefeitura de Fortaleza o cadastramento dos vendedores ambulantes desta região. “A Estação das Artes” é um equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, gerido em parceria com o Instituto Mirante. O cadastramento de ambulantes, por sua vez, é realizado pela Prefeitura de Fortaleza, por meio de suas secretarias regionais. Já existe um diálogo da gestão da Estação das Artes com a Secretaria Executiva Regional 12, responsável por este cadastramento no Centro da cidade, mas cabe ao órgão citado a solução e o prazo para atender esta demanda “, diz.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal da Gestão Regional (Seger) e também com a Prefeitura de Fortaleza e ambos informaram que a praça onde ficam os ambulantes é responsabilidade do Governo. Enquanto há esse desencontro de informações, os trabalhadores questionam e cobram uma solução urgente para a situação.
“É muito revoltante essa situação, a Prefeitura coloca a culpa no Governo e o Governo coloca a culpa na Prefeitura. Enquanto isso, temos que conviver com a incerteza se vamos conseguir um lugar para trabalhar todos os dias, e além disso, temos que conviver com a insegurança. É muito desgastante, da vontade de desistir e procurar outro local para trabalhar”, disse um vendedor que preferiu não se identificar.
Por Dayse Lima