Ceará contabiliza 55 espécies ameaçadas de extinção

Blog do  Amaury Alencar
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 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, através da pesquisa Contas de Ecossistemas, que pelo menos 481 espécies de plantas e animais da Caatinga estão ameaçadas de extinção. No Ceará, que tem o território quase inteiramente formado por esse bioma, a lista vermelha da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Estado (Sema) aponta 55 espécies de animais em risco de desaparecer. “A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro. As principais consequências caso houvesse uma degradação ainda maior seria justamente a extinção de muitas espécies que só ocorrem aqui”, explica o coordenador técnico da Associação Caatinga, Samuel Portela.

Foto: Divulgação

Os estudos indicam que este é o terceiro bioma mais ameaçado do Brasil, atrás apenas do Cerrado e da Mata Atlântica. O estudo do IBGE analisou 3.220 espécies da Caatinga e concluiu que cerca de 15% estão em risco. De acordo com o coordenador, há diversas ações que, aos poucos, diminuem as florestas, matam as plantas e ameaçam o habitat natural dos animais. Entre elas destaca-se, por exemplo,  o uso de lenha como matriz energética. “São várias pequenas frentes que, somadas, geram um impacto grande. Além disso, existem outros fatores como o uso do fogo para a limpeza das roças. Às vezes, o agricultor perde o controle e a situação se torna um incêndio florestal. A Caatinga, por ser bastante seca, em determinado período do ano, favorece a propagação rápida do fogo. Então, muitos hectares são destruídos dessa forma”, pontua Portela.

O especialista chama atenção ainda para a crença equivocada de que a Caatinga é um bioma pouco diverso. Ao todo, foram contabilizados aproximadamente 5.311 tipos de plantas e animais únicos. “Se engana profundamente quem acredita que a Caatinga é um bioma pobre, seu ecossistema é valioso e não é encontrado em nenhuma outra região do mundo”, defende o coordenador. O tatu-bola, a jaguatirica e o carcará são alguns dos destaques nesse sentido. 

Samuel Portela acredita que, para combater a degradação da Caatinga, as medidas a serem implementadas estão diretamente relacionadas com a manutenção dos serviços ecossistêmicos, ou seja, aqueles já são oferecidos pela natureza. “Criação de novas áreas legalmente protegidas, como os parques; as Áreas de Proteção Ambiental (APAs); as florestas nacionais; as Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPN); que vem crescendo fortemente no Brasil”, sugere. Ele explica que, medidas semelhantes garantem a manutenção da qualidade do ar; a proteção do habitat natural de muitas espécies; a recarga hídrica, promovendo a infiltração em detrimento do escoamento superficial, o que alimenta o lençol freático; e diversos outros benefícios. “Uma outra medida seria o combate à caça e a extração de madeira ilegal”, acrescenta. 

Portela lembra que existe uma política pública em pauta, construída em parceria com o Governo do Ceará: a de pagamento por serviços ambientais. “É muito interessante porque vai auxiliar financeiramente aquelas pessoas que conservam suas áreas. É uma espécie de pagamento pela proteção dos ambientes. Você vai avaliar o custo de oportunidade da propriedade e, em vez de fazer agricultura e criar gado em todo o espaço, você pode reservar parte dele, além do que já é previsto por lei, e ter a possibilidade de entrar no programa de pagamento por serviços ambientais. A partir daí, você vai receber para manter intacta aquela floresta”, revela. Dentro de tal política, as RPPNs devem receber prioridade, o que servirá de incentivo para que os donos de terras criem novas unidades de conservação.

Em todo o Brasil, atualmente há mais de 1.850 RPPNs, que juntas protegem mais de 833 mil hectares. No Ceará, são 44. Nesse contexto, a Associação Caatinga desenvolve o projeto “RPPN: Conservação voluntária: gerando serviços ambientais”, que objetiva realizar a prospecção de áreas para a criação de futuras RPPNs, elaborar e revisar planos de manejo, realizar cursos de capacitação e apoiar a implementação das ações dos planos de manejo de unidades que já existem.

Por Yasmim Rodrigues

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