A menos de quatro meses das eleições, o governo Jair Bolsonaro (PL) e o Congresso Nacional decidiram ampliar o Auxílio Gás e criar um auxílio para caminhoneiros como resposta à alta no preço dos combustíveis.
Os detalhes foram acertados em uma reunião entre o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), nesta terça-feira (21). A informação foi confirmada por técnicos e integrantes do Palácio do Planalto.O Auxílio Gás foi criado em novembro do ano passado e paga 50% do valor de um botijão de gás de 13 kg às famílias beneficiárias a cada dois meses. Em junho, o valor do benefício é de R$ 53, pago a 5,7 milhões de famílias. Segundo fontes do governo ouvidas pela Folha, para implementar a ampliação, um dos modelos avaliados é reduzir o intervalo do pagamento, que passaria de bimestral a mensal.
Caso essa seja a opção escolhida, a tendência é dobrar o custo do programa, que hoje oscila entre R$ 275 milhões e R$ 300 milhões mensais. No caso do auxílio, a expectativa é contemplar entre 700 mil e 900 mil caminhoneiros autônomos. O piso de R$ 400 pago no programa Auxílio Brasil tem sido uma referência nas discussões.
A autorização para as despesas deve ser incluída na mesma PEC (proposta de emenda à Constituição) que tramita no Senado e prevê uma compensação aos estados pela redução de tributos sobre diesel e gás. Os valores ficam fora do teto de gastos, a regra que limita o crescimento das despesas à variação da inflação. Técnicos da área econômica ainda trabalham nas estimativas sobre o custo adicional das medidas.
Ações
A queda das ações da Petrobras voltou a prejudicar desempenho da Bolsa de Valores brasileira nesta terça-feira (21), dia em que o governo de Jair Bolsonaro (PL) deu continuidade às ofensivas contra a companhia após o aumento dos combustíveis na semana passada
Insatisfeitos com o impacto eleitoral da política de preços da estatal, que acompanha o mercado internacional e é influenciada pela variação do petróleo e do dólar, governistas insistiram em iniciar uma CPI para investigar a empresa e em alterar a Lei das Estatais para flexibilizar critérios para indicações de membros de conselhos e diretoria de empresas públicas.
O Ibovespa, indicador de referência da Bolsa, caiu 0,17%, a 99.684 pontos. O recuo do mercado doméstico ocorreu mesmo diante de um cenário global de menor aversão ao risco e recuperação das principais bolsas, o que colaborou para a queda de 0,67% do dólar, cotado a R$ 5,1530.
A principal influência para a baixa do Ibovespa foi a desvalorização de 1,99% das ações preferenciais da Petrobras (PETR4), as mais negociadas da sessão. Também entre as maiores movimentações do dia, os papéis ordinários da empresa (PETR3) perderam 1,06%.
Na véspera, as ações da petroleira foram retiradas do pregão duas vezes devido aos comunicados da renúncia do presidente da companhia, José Mauro Coelho, e da nomeação de Fernando Borges para ocupar a presidência interinamente.