A Cédula de Produto Rural Verde (CPR Verde), título financeiro que visa remunerar o produtor rural que preservar a vegetação nativa em sua propriedade foi regulamentada pelo governo federal por meio de decreto, assinado nessa sexta-feira (1º/10). O novo instrumento financeiro será apresentado pelo governo a investidores na Conferência do Clima das Nações Unidas (Cop 26), em Glasgow, na Escócia, em novembro. A CPR Verde faz parte do chamado “Programa de Crescimento Verde”, em desenvolvimento pelo governo.
O objetivo, segundo o governo, é ajudar no combate ao desmatamento. Com a regulamentação, os títulos já podem começar a ser emitidos e negociados. Segundo estima o Ministério da Economia, as CPRs Verdes podem movimentar até R$ 30 bilhões em quatro anos.
O que é?
A Cédula de Produto Rural (CPR) é um título financeiro que já existe no país desde 1994. O instrumento é usado pelos produtores rurais para financiar sua produção e funciona assim: o produtor rural emite a CPR se comprometendo a entregar, ao investidor, parte da sua produção. Em troca, ele recebe antecipadamente o dinheiro para custear sua safra.
Na prática, com o instrumento, ao invés de entregar parte da sua produção, o produtor rural vai se comprometer a conservar a floresta que existe em sua propriedade. Em troca, receberá uma remuneração, paga por quem comprar a CPR Verde, que podem ser investidores e empresas interessadas em neutralizar emissões de carbono.
Segundo Cláudio Filgueiras, chefe do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações de Crédito Rural e do Proagro do Banco Central, o produtor que tem área preservada, contrata empresa de auditoria e de certificação. “A certificadora verifica se a mata está preservada. O investidor interessado em zerar emissão de carbono, pelo cálculo dessa empresa de certificação, vai verificar qual a quantidade de CPRs que ele tem que ter. Esse é o fluxo”, disse.
“O que estamos fazendo é completar esse mercado, estamos proporcionando que quem quer preservar encontre quem quer investir. Esse é o único papel do governo. Todo o resto é questão privada, de contrato entre as partes”, explicou o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida afirmou Sachsida.