Regulamentar e criar espaço para negócios de impacto social. Este é o objetivo maior da Política Estadual de Negócios de Impacto no Ceará, cuja proposta foi aprovada na última quinta-feira, dia 9 de setembro, em sessão plenária na Assembleia Legislativa estadual. A Mensagem número 118/21, do Poder Executivo, acata o Projeto de Indicação número 19/2020. A proposta tem como objetivo articular os órgãos do setor público, da iniciativa privada, o Terceiro Setor, as universidades e a sociedade civil para promover um ambiente benéfico ao desenvolvimento de investimentos e negócios de impacto.

Mais do que gerar lucro, a nova geração de empreendedores brasileiros também deseja criar impacto social positivo para o mundo. Apesar da busca por essa combinação vir crescendo nos últimos anos, esses empreendedores ainda se deparam com muitas incertezas na hora de tirar suas ideias do papel. Para auxiliá-los, diversos atores vêm lutando para garantir no mercado as condições necessárias para que esse tipo de negócio surja e sobreviva dentro de um ambiente regulamentado.
Os negócios de impacto têm crescido em número nos últimos anos, gerando benefícios sociais e ambientais ao mesmo tempo em que proveem resultado financeiro positivo e de forma sustentável. O mais recente Mapa de Negócios de Impacto, lançado este ano pela Pipe.Social, analisou um total de 1.272 negócios de impacto operacionais no Brasil. A maioria está localizada na região Sudeste, com 58% das iniciativas, mas o Nordeste já vem em segundo lugar com 16%, caracterizando uma descentralização regional.

A pesquisa mostrou ainda que 71% destes negócios já estão formalizados e que a maior parte deles ainda é recente (60% têm até cinco anos de existência) e está nos estágios iniciais de desenvolvimento (80% encontram-se entre as etapas de desenvolvimento da solução e de organização do negócio). Mas esse mercado vem evoluindo e iniciativas como a da Política Estadual de Negócios de Impacto no Ceará são formas de trazer evoluções para esse ecossistema.
Nacionalmente, o Sistema B Brasil (@sistemabbrasil) vem conduzindo esse debate e a disseminação desse conceito de economia mais equitativa, inclusiva e regenerativa para as pessoas e para o planeta vista nos negócios de impacto. Como resultado, foi criada uma Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto pelo Governo Federal, com a definição dos negócios, investimentos de impacto e organizações intermediárias por meio do Decreto nº 9.244, de 17 de dezembro de 2017, substituído posteriormente pelo Decreto nº 9.977/2019.
No Ceará, o tema ganhou relevância com o surgimento, em 2017, em Fortaleza, da Somos Um (@somosum), criada pela empresária Ticiana Rolim Queiroz, com o propósito de proporcionar o empoderamento das pessoas a partir do empreendedorismo. A iniciativa se baseia num modelo de fazer negócios com a finalidade de resolver problemas sociais e não apenas maximizar o lucro. “Quem não incluir impacto no seu modelo de negócio por consciência, vai precisar fazer por sobrevivência, das pessoas e dos negócios”, alerta a empresária.
Ticiana Rolim, que resolveu dedicar suas energias para criar essa nova forma de fazer negócios, foi se conectando com o ecossistema de impacto e, em 2020, em conversa com Marcel Fukayama, então Presidente do Sistema B Brasil, trouxe a pauta da Enimpacto, e prontamente ela decidiu trazê-la para o Ceará, com o objetivo de fomentar o ecossistema de impacto em nosso Estado. Hoje ela já foi aprovada nos seguintes estados Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Distrito Federal, e, após conversas com a equipe do Sistema B Brasil para analisar a viabilidade da implantação no Ceará, procurou o Deputado Estadual Salmito Filho (PDT), que se sensibilizou com a pauta e enxergou como um instrumento para redução da pobreza no Ceará por meio dos negócios, concordando em ser o representante do executivo a apresentar a lei.
Múltiplas ações da Somos Um
A Somos Um atua com maior foco no bairro do Grande Bom Jardim, um dos que possuem menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da capital cearense e onde cerca de 60% dos moradores são jovens (0 a 29 anos), público prioritário juntamente com as mulheres. Levando conhecimento sobre empreendedorismo, a Somos Um incentiva nessas mulheres e jovens o empoderamento e a capacidade empreendedora, para que todos prosperem.
Em 2019, um hackathon promovido pela Somos Um para estimular a criação de negócios que resolvam problemas sociais do bairro, permitiu o surgimento de três negócios que vêm atuando desde então. São elas a Bom Viver Reformas (@bomviverreformas), a Faz Carreira (@fazcarreira) e a Corre Aqui (@correaqui). Já em 2020, durante a pandemia da Covid-19, a Somos Um foi responsável por promover o Desafio Retoma Ceará, uma maratona online para desenvolver ideias inovadoras e ágeis para alavancar a nova economia no Ceará e minimizar problemas sociais agravados em função da pandemia e da quarentena. A Troqueiro (@troqueiro), iniciativa vencedora do desafio, tem recebido aceleração e investimento da Somos Um e irá lançar, em breve, uma plataforma de escambo de produtos e serviços nas comunidades fazendo a economia girar, dando poder de compra para as pessoas.
Outro importante projeto da Somos Um é a Trilha Florescer, projeto que faz um trabalho de empoderamento feminino e capacitação empreendedora que busca ajudar mulheres a estruturarem seus negócios, estejam eles ainda fase inicial ou já existam, oferecendo uma ampla grade de formação integrada que compreende aulas e mentorias sobre autoconhecimento, gestão das emoções, empoderamento feminino, gestão de conflitos, empreendedorismo, planejamento financeiro, marketing e tudo o que diz respeito à jornada empreendedora.
Sobre o Sistema B Brasil
Na Enimpacto, o Sistema B lidera o Grupo de Trabalho 4, encarregado das ações voltadas à promoção do macro ambiente normativo e institucional favorável. Dentre as ações priorizadas nesta pauta está o anteprojeto de lei que cria as “Sociedades de Benefício” como uma qualificação jurídica dos tipos existentes, inspirada na figura das Benefit Corporation norte-americanas.
O Sistema B é uma organização parceira do B Lab desde 2012, responsável pelo engajamento, divulgação e promoção local de todo movimento B no Brasil e América Latina. Ele articula um movimento global de pessoas que usam os negócios para a construção de uma economia mais inclusiva, equitativa e regenerativa para as pessoas e para o planeta. No centro deste movimento estão as Empresas B, 215 Empresas B no Brasil e 792 na América Latina, que compartilham um perfil de negócio que equilibra propósito e lucro, considerando o impacto de suas decisões em seus trabalhadores, clientes, fornecedores, comunidade e meio ambiente. No mundo, já são 4.086 empresas certificadas.