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04/06/2021

Senador Randolfe Rodrigues revela que Pfizer enviou 53 e-mails ao governo sobre oferta de vacinas

À esquerda, o gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, junto ao vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), à direita. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
À esquerda, o gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, junto ao vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), à direita. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid, afirmou que o governo brasileiro recebeu 53 e-mails da farmacêutica Pfizer para oferta de vacinas contra a Covid, reforçando os indícios de omissão na compra de imunizantes.

“Antes pensávamos que tinham sido oito e-mails da Pfizer omitidos, depois nos chegou a informação que foram 41 e, agora, pasmem, foram na verdade 53 e-mails da Pfizer rogando para entregar vacina para o governo brasileiro”, declarou o senador em entrevista ao canal Globonews.

“Desses 53 e-mails, 47 tiveram omissão até o dia 10 de novembro. No dia, estranhamente após aquela reunião que envolveu o Sr. Weintraub, há uma resposta do governo brasileiro. Depois do dia 2 de dezembro, após outros seis e-mails, há novamente uma omissão por parte do governo brasileiro que só é superada com um contato do presidente da República em março”, disse ainda.

 Randolfe também comentou a descoberta em seu perfil nas redes sociais. Ele afirma que a última tentativa, do dia 2 de dezembro de 2020, era um “e-mail desesperador da Pfizer, pedindo algum tipo de informação, porque eles queriam fornecer vacinas ao Brasil”.

O gerente-geral da farmacêutica na América Latina, Carlos Murillo, foi ouvido na CPI que apura a gestão do governo federal no enfrentamento à pandemia no dia 13 de maio. Em seu depoimento, o executivo afirmou que o governo de Jair Bolsonaro rejeitou a oferta de 70 milhões de doses da vacina Pfizer/BioNTech, cujo primeiro lote tinha entrega prevista para dezembro de 2020.

Na sessão, Murillo detalhou todas as ofertas feitas entre agosto de 2020 e fevereiro de 2021. Segundo ele, só no ano passado, foram lançadas cinco propostas. A primeira oferta de 70 milhões de doses, em 14 agosto, tinha prazo para resposta de 15 dias, que não foi atendido. A segunda e terceira ofertas foram feitas em 18 e 26 de agosto, e também não foram aceitas pelo governo. Todas tinham cronograma de início da entrega em 2020.

Em fevereiro deste ano, houve mais uma tentativa de negociação, dessa vez de 100 milhões de doses. O acordo entre o governo brasileiro e a Pfizer foi fechado somente em 19 de março, com o primeiro lote entregue no final de abril.

Na entrevista, o senador Randolfe fala ainda de suspeita de lobby na aquisição de cloroquina pelo governo federal. “Os documentos que chegam até a CPI indicam que não foi à toa a omissão em relação às vacinas. Nos trazem suspeitas sobre essa obsessão em relação à cloroquina. É muito estranho o fato do ministério das Relações Exteriores, sob a gestão do ministro Ernesto Araújo, ter feito algo que se assemelha a advocacia administrativa, lobby, para ter resgatado uma carga de hidroxicloroquina de uma empresa que tinha essa carga restrita na Índia”, declarou.

                    o Povo 

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