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07/06/2021

Possível ida de Bolsonaro ao Patriota gera conflito interno

 O Patriota, legenda que espera a filiação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para que ele dispute a reeleição em 2022, vive conflitos internos em meio ao processo, com um racha interno que gira em torno da perspectiva de entrada do chefe do Executivo federal, com direito a disputa judicial.

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Trata-se, segundo sua carta de princípios, de um partido “moralmente conservador, economicamente defensor do livre mercado e confessionalmente cristão”. Que protege a vida desde sua concepção, considera a família célula fundamental e rejeita o “credo socialista, que traz miséria para toda a sociedade”. “Brasil acima de tudo”, diz o slogan do partido, repetindo parte do grito de guerra de Bolsonaro. Na prática, essa plataforma conservadora não tem respaldo de um amplo setor do partido, e a crise de identidade contribui para o racha.

O partido está em conflito entre seu presidente nacional, Adilson Barroso, e o vice, Ovasco Resende, que o acusa de manobrar internamente para permitir a filiação do senador Flávio Bolsonaro (RJ), na última segunda-feira (31). A ala ligada a Resende diz que Barroso ignorou o estatuto partidário para aparelhar a convenção nacional com aliados. E vê com desconfiança o alinhamento total do Patriota ao bolsonarismo, por enxergar a sigla como de centro.

O partido surgiu da junção do antigo PEN (Partido Ecológico Nacional), comandado por Barroso, com o PRP (Partido Republicano Progressista), de Resende. Na prática, as duas partes nem sempre tiveram relação harmoniosa, e as diferentes visões afloraram agora. Em artigo publicado na revista do partido em abril de 2020, Resende criticou o fato de bolsonaristas e petistas buscarem criar um clima de extremismo no Brasil: “Bolsonaristas de um lado e petistas do outro, em torno de mitos artificiais que disputam o poder com uma fome de leão, enquanto a grande maioria do povo brasileiro trabalha, sobrevive e sonha com dias melhores que são prometidos, mas que nunca chegam”, escreveu o vice-presidente da legenda.

Espaço
Secretário-geral do partido e aliado de Resende, Jorcelino Braga diz que o Patriota é um partido de centro, não conservador. “Eu entendo por centro tudo que tem equilíbrio, que tem bom senso. O presidente [Barroso] pode definir o partido como conservador, mas eu digo que sou de centro”, diz. Braga é também presidente do diretório estadual de Goiás e foi um dos patrocinadores de uma representação enviada à Justiça Eleitoral contestando as alterações na estrutura do partido feitas de forma unilateral por Barroso. Na quarta-feira (2), o ministro Edson Fachin rejeitou a ação dizendo que ela deve ser encaminhada à Justiça comum, o que deve ocorrer nos próximos dias.

Braga afirma não ser contra a filiação do presidente em princípio, mas diz que é preciso discutir exatamente o espaço que os aliados de Bolsonaro teriam internamente. “O que queremos saber é qual o projeto. O que querem? Querem o controle do partido? O Adilson prometeu o controle para eles? Somos uma executiva eleita até 2022”, diz.

Barroso afirmou que o debate sobre a ocupação de espaços pelos aliados do presidente não entrou na pauta ainda, mas sinalizou que mudanças deverão ocorrer. “Se tiver alguém em algum lugar que não tem habilidade para perseverar, para fazer o Patriota crescer, essa pessoa tem de deixar a vaga. E continua quem tem essa habilidade”, declarou o presidente do partido.

Diretórios
O Patriota tem, no comando de seus diretórios estaduais, políticos que nem sempre foram enfaticamente conservadores, o que poderia levar a um processo de expurgo com a entrada do presidente. O comandante do Maranhão, por exemplo, é o deputado Marreca Filho, que é aliado do governador Flávio Dino, do PCdoB.

Em Santa Catarina, quem chefia a legenda é Vanderson Soares, que foi filiado ao PSB. Hoje, ele se diz conservador e afirma que defende a entrada de Bolsonaro, mas desde que de forma negociada. “A gente quer uma construção, não quer nada de cima para baixo. Seria muito deselegante que o grupo do presidente entrasse no partido e assumisse todos os diretórios”, afirma Soares.

Em Pernambuco, o atual presidente regional é o deputado federal Pastor Eurico, que também é egresso do PSB. “Se o presidente vier, é bem-vindo. Se não vier, o partido seguirá em frente. O presidente é uma pessoa, o partido é uma conjunção de pessoas”, afirma ele. Segundo Eurico, a legenda tem de se preparar para um grande movimento de filiações caso a entrada de Bolsonaro se confirme. “Claro que, com a vinda do presidente, teremos uma avalanche de gente, muitos virão de carona. É preciso ver quais diretrizes vão ser traçadas para isso”, diz.


     o Estado 

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