Comércio teme desestruturação do setor e propõe reabertura gradual das lojas

 


Fecomércio-CE apresentou estudo no qual diz não ser responsável por disseminação de Covid-19


Horarios propostos para a retomada

Horarios propostos para a retomada


Os 15 dias sem funcionar devem causar um prejuízo de até 20% para os comerciantes cearenses, segundo contabilizou Maurício Filizola, presidente da Federação de Bens, Comércios e Serviços do Ceará (Fecomércio-CE), ao apresentar estudo no qual diz que o setor não é responsável pela contaminação de Covid-19 no Estado e propor uma reabertura gradual dos negócios. A preocupação dos empresários é a extensão do lockdown e a desestruturação do setor, causando fechamentos e demissões.

Durante apresentação da proposta na manhã de ontem, 15, ele afirmou que a temporada de portas fechadas deve gerar problemas no caixa, com uma baixa de 50% no faturamento. Para reverter, Filizola apontou possibilidades de renegociação com fornecedores, tempo maior para pagar alguns impostos, mas apontou compromissos inadiáveis, como aluguel, salários e férias que precisam ser respeitados no mês.

"O impacto disso é muito grande. A minha relação com o consumidor é prejudicada. É preciso que o governo olhe com bastante atenção porque podemos desestruturar a cadeia produtiva do comércio, pois muitas empresas não voltaram e podem não voltar", alertou Filizola, lamentando da falta de ajudas mais robustas pelo governo federal, como o auxílio emergencial e o benefício emergencial.

A proposta da Fecomércio é de estabelecer fases semelhantes a do ano passado ao longo de 14 dias, nos quais seria flexibilizada a abertura das atividades do comércio e serviços em Fortaleza, "com o contingente de 50% dos trabalhadores dos setores contemplados e rigidez na aplicação dos protocolos (manutenção dos protocolos apresentados na proposta de maio de 2020)".


Na pesquisa realizada entre os dias 07 e 08 de março, com 535 empresários, 54% dos entrevistados disseram que não houve funcionário infectado por coronavírus nos seus estabelecimentos. A Fecomércio-CE destacou ainda que "97% dos empresários afirmaram não ter havido ocorrência de óbito por Coronavírus nas suas empresas".

"Em números absolutos, considerando o universo de 34.131 colaboradores das empresas pesquisadas, 1.912 relataram casos de infecção e a soma dos casos que foram a óbito foi de 23", observou.

Questionado sobre as responsabilidades dos índices de contaminação de óbitos crescentes no Ceará, o presidente da Fecomércio apontou para o comércio informal como ambiente de algomeração e cobrou atitude do Governo do Estado na fiscalização.

Ao afirmar que o diálogo não estava acontecendo como na última vez que foi preciso fazer lockdown no Estado, Filizola apresentou um gráfico retirado do Integrasus, plataforma de divulgação de informações do governo, em que demonstrou o declínio dos índices de contaminação após a abertura do comércio em 2020.

No mesmo gráfico, ele destacou que, após a realização da eleições municipais e das festas de fim de ano é que se teve um aumento considerável da pandemia no Ceará e cobrou: "estamos pagando por algo que não é responsabilidade exclusiva do comércio".

Também online na coletiva, o vice-presidente da Fecomércio e presidente do Sindilojas, Cid Alves, endossou as críticas do colega e ressaltou mais uma vez uma necessidade de se conter as aglomerações no transporte público. "Eu sou obrigado, na minha loja, a medir temperatura, ofertar álcool gel, assegurar o distanciamento das pessoas, mas os ônibus andam lotados", protestou.

Em resposta, a assessoria do coordenador do Comitê Estadual de Enfrentamento à Pandemia, Flávio Ataliba, informou que o documento foi entregue diretamente no gabinete do governador Camilo Santana e deve ser submetido às autoridades sanitárias após o período de lockdown.

Por fases

A proposta da Fecomércio é de estabelecer fases semelhantes a do ano passado ao longo de 14 dias, nos quais seria flexibilizada a abertura das atividades do comércio e serviços em Fortaleza


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