Ex-prefeito Agenor Ribeiro teve o nome impugnado e a executiva local vetou chapa que ele tentou registrar. No momento, partido está fora da disputa

Por Rose Serafim

Em Salitre, município da região oeste do Cariri, na Chapada do Araripe, um impasse entre integrantes do Partido dos Trabalhadores pode deixar a população com apenas uma opção de candidatura para prefeito e que ainda não pertence à sigla. Após sofrer pedido de impugnação e renunciar à candidatura, o ex-prefeito Agenor Manoel Ribeiro tentou emplacar uma chapa formada por parentes dele. Todavia, o diretório municipal tinha outros planos que envolviam uma chapa formada por Edicarlos Dias como candidato à prefeito e Ronaldo Pereira como vice. No final das contas, ambas as chapas foram impedidas de concorrer pela Justiça Eleitoral em sentença expedida no último dia 28 de outubro. A sigla segue, portanto, sem nomes para a prefeitura.


A história começou quando Agenor Ribeiro registrou candidatura mas sofreu pedido de impugnação por parte do Pros, em razão de processos movidos contra ele por irregularidades na prestação de contas da sua última gestão - foi prefeito de Salitre de 2005 à 2012 -. Um recurso chegou  mantê-lo pleito, embora tendo que renunciar logo em seguida. Assim, o ex-prefeito tentou emplacar uma nova chapa encabeçada pelo irmão dele, Manoel Ribeiro Filho, e a sua esposa, Eliane Batista, como candidata à vice. O diretório municipal do partido não estava de acordo, porém, e abriu-se uma crise. Dessa forma, Agenor buscou apoio no diretório estadual do PT que interveio dando-lhe razão. Houve a tentativa de registro da chapa, inviabilizada porque o prazo havia sido estourado e o pedido foi deferido.
Do outro lado, o diretório municipal também tentou engatar chapa encabeçada por Edicarlos. Mas, como houve intervenção do diretório estadual do PT, a candidatura também não pôde ser registrada já que a decisão tomada pela sigla em âmbito estadual apontava para outro lado.
Dessa forma, sem chapa deferida, o PT de Salitre, e demais siglas coligadas, seguem sem representante na disputa. O eleitorado tem como única opção o candidato do Pros, se não quiser votar nulo ou branco no próximo dia 15 de novembro.
Segundo o atual prefeito Rondilson de Alencar Ribeiro (PT), houve uma imposição do diretório estadual sobre o municipal, o que seria irregular judicialmente. “A executiva tirou os poderes da executiva municipal sem nenhuma relação de diálogo. Oprimiu a executiva municipal”, acusa. Assim, o petista informa que o diretório municipal vai recorrer para tentar viabilizar a chapa liderada por Edicarlos.
Já Agenor Ribeiro diz que não havia consenso no diretório municipal sobre o nome que iria substituí-lo caso  desistisse da candidatura. O ex-prefeito afirma que, mesmo antes da decisão dele, de continuar ou não na disputa, parte do grupo já tentava realocar Edicarlos que era candidato a vice, para encabeçar a chapa. “Ele (Rondilson) tinha dominado o diretório municipal e tentou colocar a chapa mesmo sem a minha a renúncia”, disse.
Agenor diz ter optado por buscar um posicionamento do diretório estadual sobre a situação. Ele conta que houve uma reunião em que a executiva estadual deu razão a ele, com o direito de decidir se continuaria na disputa ou indicaria outro nome para substituí-lo. Por isso, diz ter renunciado e indicado o irmão, Manoel Ribeiro, como candidato à prefeito, com sua esposa de vice. Segundo Agenor, os nomes não vieram somente por vontade dele, mas havia um consenso no diretório municipal de que Manoel Ribeiro poderia encabeçar chapa em 2020, já que ele é vice do atual prefeito. Eliane Batista também já havia sido cotada para substituí-lo ainda na campanha de 2012.
Por ser a chapa aprovada pelo diretório estadual, Agenor esclarece que a candidatura de Manoel Ribeiro só foi indeferida por conta de um erro no sistema que registrou o pedido somente 1 minuto e 54 segundos após o prazo limite para substituição. “Estamos entrando com recurso no TRE, buscando mostrar que o PT não pode ficar sem candidato por causa desse atraso tão curto no registro de uma chapa”, conclui.
O Diretório Estadual do PT foi buscado para comentar o caso mas o O POVO não obteve resposta do partido até o fechamento desta matéria.

 (Colaborou Amaury Alencar)  


   Blog do Amaury Alencar  Reportagem jornal o Povo 

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