Bolsonaro se torna alvo de panelaços e protestos nas redes sociais após exaltar ditadura em pronunciamento sobre independência do Brasil (Foto: Reprodução Tv Brasil)
Bolsonaro se torna alvo de panelaços e protestos nas redes sociais após exaltar ditadura em pronunciamento sobre independência do Brasil (Foto: Reprodução Tv Brasil)



Na celebração do dia da Independência do Brasil, 7 de setembro, o presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem Partido) realizou pronunciamento em cadeia de rádio e televisão em referência à data. Durante sua fala, com tom nacionalista, ele destacou a busca por liberdade e honra da nação, mas não fez nenhuma menção à pandemia do novo coronavírus. Ele citou ainda o que chamou de histórico de luta do povo brasileiro e exaltou como um período positivo os 21 anos de ditadura militar. A fala do presidente gerou panelaços em vários regiões do País e manifestações contrárias nas redes sociais. 

O período de governos militares entre 1964 e 1985, marcado pela perseguição, morte e tortura de opositores foi mencionado pelo presidente como sendo um marco na luta do país por liberdade contra regimes que pregavam a "desordem social", em referência sua ao comunismo. Bolsonaro celebrou a gestão militar como algo benéfico para o Brasil. Ele destacou que com a proclamação da Independência, em 1822, o Brasil dizia ao mundo que "nunca mais aceitaria ser submisso a qualquer outra nação". 

O presidente pontuou ainda que os brasileiros jamais "abririam mão da sua liberdade". Bolsonaro frisou ainda a importância da luta pela democracia, mesmo havendo críticas sobre os ataques de seus apoiadores e ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF) e pedidos de retorno ao regime militar no País.

Ainda sobre os anos de governos militares, Bolsonaro afirmou: “Nos anos 60, quando a sombra do comunismo nos ameaçou, milhões de brasileiros identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas foram às ruas contra um país tomado pela radicalização ideológica”. Celebrou que ali foi "um momento histórico de honra e luta pela democracia".


Sem comentar sobre a pandemia de coronavírus que matou 126.960 brasileiros, Bolsonaro traçou um breve histórico de momentos da história brasileira para frisar que "o sangue brasileiro sempre foi derramado por liberdade". Ele destacou ainda a contribuição do país durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). “Enviamos auxílio para derrotar o nazismo”, lembrou. 

Bolsonaro afirmou ainda que vê o Brasil como um país tolerante, onde “os diferentes tornaram-se iguais” na busca pela liberdade. Ele considerou que o histórico de luta e vitórias brasileiras permanecerá no futuro e que a data “merece ser celebrada em nossas casas e em nossos corações”. O presidente encerrou sua fala frisando ter orgulho de ser brasileiro. “Somos nação temente a Deus, que respeita a família e que ama a pátria”, pontuou.

Protestos

O pronunciamento gerou uma série de panelaços e protestos nas redes sociais. Opositores de Bolsonaro passaram a repercutir na internet a hashtag “#CalaBocaBolsonaro” desde a noite de ontem, 6, com horário marcado para as 20h desta segunda-feira, em alusão ao início da fala do presidente.

O assunto foi um dos mais comentados no Twitter, com cerca de 8 mil publicações sobre em menos de 30 minutos. Uma hora depois do anúncio, as publicações contra o presidente somavam mais de 40 mil postagens. Houve registros em vídeo dos panelaços em pelo menos seis estados brasileiros, os relatos se concentraram na região Sudeste do país, maior polo eleitoral de Bolsonaro nas eleições de 2018. Várias das publicações eram de xingamentos e ofensas.

Além dos vídeos, postagens cobrando uma maior dedicação no combate à pandemia de coronavírus, esclarecimentos de escândalos de corrupção envolvendo a família do presidente e também um investimento maior em políticas sociais foram feitas pelos internautas.

Charges e cartoons ironizando o presidente, assim como a ausência de respostas sobre o valor de R$ 89 mil depositados na conta de sua esposa, Michelle Bolsonaro em um suposto desvio de verbas públicas gerenciado pelo seu filho 01, Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz, também marcaram a repercussão sobre o pronunciamento do presidente. 

Veja registros de panelaços no Ceará

No Ceará, houve relatos de panelaços em pelo menos seis bairros da Capital: Meireles, Messejana, Dionísio Torres, Aldeota, Barra do Ceará e Benfica.

DIONÍSIO TORRES



ALDEOTA

 o Povo 

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