A eleição em Fortaleza envolve fatores não apenas locai. A amplitude de repercussão é nacional, bem maior, por envolver os irmãos Ciro e Cid Gomes no debate sobre eleição presidencial. Ciro nunca perdeu um pleito no Ceará. Em Fortaleza, já apoiou candidatos derrotados. Cid Gomes, após assumir o Governo do Ceará, apoiou e elegeu todos os prefeitos de Fortaleza. Gente simples, Ciro e Cid dizem sempre que "o povo do Ceará sempre foi generoso e acreditou na entrega que fazem nas diversas áreas, como saúde, educação, geração de empregos".

O presidente Bolsonaro tem interesse direto na eleição em Fortaleza e nas maiores cidades do Ceará. "O Bolsonsro é falso como uma cédula de três reais", disse Ciro sobre as declarações do presidente, anunciando que está fora da campanha. Ele sabe que as palavras de Bolsonaro não refletem a verdade. O presidente, por sua vez, faz o jogo político certo. Se seus candidatos vencerem, ele foi o vitorioso. Na derrota, vai dizer que não se envolveu. O manual da política é básico sobre essas manobras em tempos de eleição.

Vejam bem. Bolsonaro mandou um helicóptero pertencente ao contribuinte pousar em um campo de futebol, sem nada estar programado. A aeronave militar fez o pouso. Bolsonaro desceu e foi ao bar do "Beiçada" , maior centro de bate-papo político de Missão Velha. Discutiu política, ensinou jogo de sinuca, fez selfies, beijou e abraçou crianças, jovens e senhoras. Tudo com o dinheiro do contribuinte. Isso é politica. Campanha eleitoral.

Bolsonaro, ao pousar em Juazeiro do Norte, na quinta-feira, 17, saiu do aeroporto para abraçar eleitores, fazer fotos. Toda a programação junto ao povo em Juazeiro e Missão Velha foi planejada, nada de espontâneo. Quando ele chega nos locais, a festa está pronta.

O presidente da República, eleito pelo povo, pode fazer festa com o povo, precisa, mas é necessário observar leis, respeitar segurança e protocolos. Bolsonaro age como se tivesse se divertindo. Ele precisa saber que será cobrado. O Ministério Público está de olho e o cidadão, também.

A eleição municipal é um passo para o ajuste da composição da  eleição presidencial. Bolsonaro, se vencer no Nordeste, dará um passo importante para renovar o mandato em 2022, se mantiver vitórias no Sul e Sudeste, que abandonou.

Fica claro que o cenário da eleição municipal de 2020 tem ligação direta com a sucessão de Bolsonaro. A política é assim, mesmo. Em março, a direita bolsonarista já tinha praticamente jogado a toalha sobre o futuro do presidente, que estava estava com a popularidade no chão. Veio a pandemia do coronavírus. O Congresso aprovou o Auxílio Emergencial de R$ 600, Bolsonaro assumiu a defesa da cloroquina, o controle da Polícia Federal e subiu nas pesquisas.  O voo foi rápido e alto. Vamos aguardar o 15 de novembro.

 Roberto Moreira 

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