Coordenado pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), Secretaria Executiva do Agronegócio, Prefeitura Municipal de Paramoti e Escritório Local da Ematerce neste município, foi promovido, nesta terça-feira (11), o Dia de Campo sobre a Modernização da Cultura do Algodão no Estado do Ceará, com a participação de técnicos, produtores, secretários municipais de agricultura, gestores, representantes de entidades como Banco do Nordeste (BNB), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Adagri (Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará), Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) e Ematerce (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará).

O encontro visa discutir propostas, alternativas e caminhos para a revitalização dessa cultura no Estado, através da organização de produtores em várias regiões, financiamentos através do Banco do Nordeste, intercâmbios, incremento da comercialização e serviços de Ater (Assistência Técnica e Extensão Rural).

Segundo o coordenador estadual do programa de modernização do Algodão, Euvaldo Bringel (foto acima, primeiro da direita para esquerda), a unidade experimental visitada nesta terça-feira na propriedade do produtor rural José Dantas, na Comunidade Castelo, zona rural de Paramoti, é uma realidade promissora para o setor, após décadas de estagnação por conta da praga do bicudo. “Estamos trabalhando desde 2017 com o apoio técnico da Embrapa no compartilhamento de tecnologia de sementes, do Governo do Ceará com o investimento na promoção e organização do setor e já temos o projeto de expansão para além do Cariri, Apodi e Sertões do Quixeramobim e Inhamuns, onde temos os primeiros bons resultados”, explicou Euvaldo, que tem o plano agora de adaptar e incrementar a produção voltada para a agricultura familiar.

No caso da propriedade do agricultor José Dantas, o resultado foi menor do que o esperado por conta de problemas no uso de um herbicida, o Glifosato, que foi aplicado fora do período ideal para o combate de ervas daninhas. Mesmo assim, a área, um pouco menor do que um hectare, teve um bom aproveitamento a partir do uso da semente 433 da Embrapa.

Para o pesquisador da Embrapa Fábio Aquino de Albuquerque, o trabalho nas unidades experimentais têm sido importantes para entender todo o processo da cultivar do algodão, a necessidade da retirada de todo o algodão após a colheita, o acompanhamento da chegada do bicudo, que pode desovar até 150 ovos de uma só vez, o combate correto à praga da lagarta e bicudo, o distanciamento ideal entre as plantas, são essenciais para o bom desenvolvimento da cultura no semiárido.

Nesta quarta-feira (12), a técnica da Ematerce e engenheira agrônoma Mara Alice finaliza os resultados da unidade experimental em Paramoti para as análises e posteriores novos investimentos. De acordo com a gerente executiva do Banco do Nordeste Francisca Geane, a troca de conhecimento é crucial para o investimento neste projeto e o banco está presente para fazer o seu papel de impulsionar o desenvolvimento local e regional.

Negócio e produção

Na opinião do presidente da Ematerce Antônio Amorim, é fundamental uma mudança de mentalidade para os agricultores familiares tirarem melhor proveito de algumas oportunidades como esta da retomada da produção do algodão. “Esta ocasião é muita oportuna para um aprendizado em vários sentidos, do modo de produção à comercialização passando pelo planejamento. Precisamos sair da fase da produção pela subsistência apenas. O produtor precisa pensar na produção como um negócio, que precisa ter lucro. Então, é preciso saber antes de tudo se o agricultor quer realmente produzir algodão e lidar com todos os compromissos que essa cultura exige. O algodão, como bem frisou o Euvaldo, tem demanda de compra na indústria têxtil, de alimentação e como óleo. Portanto, é um produto com comprador certo, diferente de outros segmentos que tem um comércio mais variável”, contextualizou Amorim.

Bottom Ad [Post Page]

| Designed by Colorlib