No dia seguinte à “debandada” de dois secretários do Ministério da Economia insatisfeitos com travas à agenda liberal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu nas redes sociais as privatizações de empresas deficitárias e o teto de gastos, mas minimizou a ação de outros ministros pela flexibilização da principal âncora fiscal do governo.

                                          

“O estado está inchado e deve se desfazer de suas empresas deficitárias, bem como daquelas que podem ser melhor administradas pela iniciativa privada. Privatizar está longe de ser, simplesmente, pegar uma estatal e colocá-la numa prateleira para aquele que der mais ‘levá-la para casa.’ Para agravar o STF decidiu, em 2019, que as privatizações das empresas ‘mães’ devem passar pelo crivo do Congresso”, escreveu Bolsonaro, ontem, no Facebook, referindo-se a um julgamento do Supremo que barrou a venda de estatais sem anuência do Parlamento, mas que liberou a desestatização de subsidiárias apenas por decisão do Executivo.


“Debandada” foi um termo utilizado pelo próprio ministro Paulo Guedes (Economia) para se referir ao pedido de demissão, na terça-feira (11), de dois de seus secretários especiais: Salim Mattar (Desestatização) e Paulo Uebel (Desburocratização). Ambos decidiram deixar a equipe econômica por verem poucos avanços em suas agendas, no caso as privatizações e a reforma administrativa, respectivamente.
Saídas
As saídas renovaram as dúvidas sobre as credenciais liberais do governo Bolsonaro, que se encontra pressionado pela paralisação econômica causada pela crise do coronavírus e pelo pleito de auxiliares por aumento de gastos para obras em meio à pandemia, algo que conta com a oposição de Guedes. O ministro da Economia se opõe a novas despesas que extrapolem o teto de gastos.


Na mensagem publicada nas redes sociais, Bolsonaro fez outro aceno a Paulo Guedes e disse que “nosso norte continua sendo a responsabilidade fiscal e o teto de gastos”.
Ele minimizou, no entanto, os pleitos de outros ministros por mais dinheiro para investimentos. “Num orçamento cada vez mais curto é normal os ministros buscarem recursos para obras essenciais. Contudo”, escreveu Bolsonaro.

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