A situação de Ceilândia é dramática desde que o novo coronavírus alastrou-se pelo Distrito Federal. A cidade tem o maior número de casos da covid-19 e de mortes pela doença. O total de infectados na região administrativa chegou ontem a 16.054, dos quais 356 não resistiram. Nas últimas 24h, a Secretaria de Saúde contabilizou 11 óbitos na localidade, a maior entre as demais. Entre as vítimas de ontem está Maria Aparecida Firmo Ferreira, avó da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Além disso, o DF registrou, na quarta-feira, o maior número de mortes em 24 horas: 54.

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Apesar do cenário procupante, pesquisadores que acompanham a evolução dos casos no DF observam aceleração mais leve em Ceilândia, com características de platô. Mas a estimativa é de que, no fim do mês, o total de registros da covid-19 na cidade fique entre 18,5 mil e 20 mil. As informações foram levantadas pelo estudante de estatística César Galvão e pelos doutores Breno Adaid e Thiago Nascimento, do Departamento de Ciência do Comportamento da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadores do mestrado em administração do Centro Universitário Iesb.


Breno comenta que, quando analisada a média móvel de casos em Ceilândia, o momento mais crítico aconteceu no domingo. O cálculo leva em conta as confirmações nos seis dias anteriores. “A cidade orbita em torno de 200 casos por dia. É uma evolução lateralizada e com leve aceleração, seguindo a lógica do DF. Em relação ao número de mortes, deve haver continuidade dessa tendência”, destaca.


A administradora Alice Moraes, 27 anos, sai de casa só em caso de necessidade. “O meu receio é pelos meus pais. Saio para ir ao mercado, comprar remédio ou ir ao banco”, diz. Rosimaire Ribeiro, 57, é gari em Ceilândia e tem seis filhos. “O nosso trabalho é na linha de frente. Fico na rua das 16h à 0h e uso transporte público. É um risco, mas tomo os devidos cuidados e ando sempre com álcool em gel”, conta.

Professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), Roberto José Bittencourt afirma que, por concentrar o maior número de casos, a cidade favorece a adoção de modelo de eliminação da transmissão. “É território para aplicar a vigilância epidemiológica, mas é preciso grande apoio social, porque só a Secretaria de Saúde não daria conta, e a população infectada é a mais vulnerável”, explica.


Não é possível relacionar as medidas de flexibilização adotadas com o crescimento dos casos. Esse crescimento estava previsto nas projeções, ocorrendo em menor magnitude do que havia sido previsto, o que é denominado “achatamento da curva”. Se considerarmos, por exemplo, a abertura do comércio, que ocorreu entre fim de março e início de junho, naquele momento, a taxa de crescimento diário de casos estava de 3% a 5%. Atualmente, está entre 1% e 2%. Após alcançar o pico, no início de julho, (a taxa) está se mantendo em um platô — mesmo padrão observado na maioria das unidades da Federação —, com tendência de redução se observarmos a curva de casos de acordo com a data de início dos sintomas. Isso pode ser verificado nos boletins diários divulgados.


Por diversos órgãos do GDF, ações de fiscalização no cumprimento das medidas previstas nos decretos: uso adequado de máscara e medidas de proteção — a funcionários e usuários — nos estabelecimentos comerciais. Do ponto de vista da Secretaria de Saúde, a ampliação na capacidade de atendimento em unidades básicas de saúde e unidades hospitalares, especialmente leitos de UTI (unidade de terapia intensiva). Por exemplo, hospitais e UPAs (unidades de pronto atendimento) de Samambaia, Taguatinga, Ceilândia e Gama passaram a internar casos da covid-19. Antes, isso estava restrito às unidades de referência. Ainda em Ceilândia, essa ampliação inclui a construção de duas unidades hospitalares ou de cuidado intermediário.

Há previsão para a saída do platô?


Não é possível estimar, tendo em vista que os modelos adotados para a análise das tendências foram construídos prevendo uma elevação de casos até atingir o pico, quando, teoricamente, cerca de 50% das pessoas estariam contaminadas, seguido de uma redução logo após esse pico. Com o achatamento da curva, bem como por fatores que ainda não estão muito claros, mesmo considerando a literatura internacional, essa redução tem ocorrido em outras unidades da Federação e em outros países quando em torno de 20% da população foi infectada. Essa mudança nos parâmetros, mais uma vez, não prevista nos modelos, não permite fazer afirmações com base sólida sobre quando se daria a saída do platô.

A Secretaria de Saúde reconhece o cenário do DF como uma situação de colapso?


Não se pode falar em colapso quando a situação não superou a capacidade de atendimento dos casos, especialmente para casos graves. Por exemplo, a taxa de lotação de leitos de UTI está abaixo de 80%. Nos estados em que esse colapso ocorreu, como Amazonas, Ceará, Minas Gerais e Rio de Janeiro, a taxa de ocupação esteve acima de 90% ou mesmo em 100% 

  Correio Braziliense 

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