Irmã de Aécio é indiciada sob suspeita de crime relacionado a vazamentos na PF
Author -
personBlog do Amaury Alencar
junho 10, 2020
share
Seis pessoas foram indiciadas nesta quarta-feira (10) pela Polícia
Federal em Minas Gerais sob suspeita de prática de crimes relacionados a
vazamentos feitos por dois policiais a advogados e clientes sobre
operações da própria PF. As investigações começaram em dezembro de 2018 e
tiveram busca e apreensão em endereços dos indiciados em junho do ano
passado. Foto: Reprodução
Entre eles está a irmã do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG),
Andrea Neves, indiciada sob suspeita de obstrução de justiça, segundo a
PF, por ter tido acesso a informações que impediram ou embaraçaram
investigações relacionadas a organizações criminosas -algumas das
operações envolviam o irmão- e se beneficiado delas.
Na casa de Andrea foram encontrados documentos internos da Polícia
Federal, inclusive ligados a Operação Capitu, que apurou esquema de
corrupção no Ministério da Agricultura durante o governo Dilma Rousseff
(PT). Conhecida como estrategista da imagem e da carreira do irmão mais
novo, Andrea foi presa em 2017 pela PF, denunciada por corrupção passiva
com base na delação do empresário Joesley Batista, da JBS.
Por meio de nota, o advogado de Andrea Neves, Fábio Tofic, diz que a
cliente nunca solicitou documentos ou teve qualquer contato com agente
público e que os documentos encontrados na casa dela já haviam tido
conteúdo divulgado pela imprensa.
“Sendo, portanto, estapafúrdia a hipótese de que poderiam ser usados
para qualquer ato de obstrução de justiça. É preocupante que a
autoridade policial faça uma ilação dessa gravidade sem apontar qualquer
ato praticado por Andrea que pudesse ser interpretado como obstrução de
justiça”, diz a nota.
Além dela, também foi indiciado por obstrução de justiça o empresário
Pedro Lourenço. Caso denunciados, ele e Neves podem ter pena de até 10
anos em regime fechado. A Folha não localizou a defesa do empresário até
a publicação.
Dois policiais federais, que vazaram as informações, e dois
advogados, Carlos Arges e Ildeu da Cunha Pereira Sobrinho (morto em
fevereiro) foram indiciados por violação de sigilo funcional, corrupção
passiva e corrupção ativa, além de formação de organização criminosa por
embaraçar investigações que envolviam organização criminosa. As penas
previstas, caso sejam denunciados, podem chegar a 34 anos.
A defesa de Arges diz que tomou conhecimento do indiciamento pela
imprensa e que não conhece ainda o teor do relatório da PF.
“Oportunamente, poderemos nos posicionar”, diz mensagem enviada à
reportagem pela advogada Vera Carla Silveira.
Segundo a PF, os policiais extraíam informações dos sistemas da PF,
retiravam documentos sigilosos de operações em andamento em Minas Gerais
e repassavam aos advogados. Estes ofereciam facilidades a seus
clientes, obstruindo investigações. Eles ainda usariam a influência na
PF como propaganda para conseguir novos clientes.
Além de prejudicar os trabalhos da polícia, o esquema também colocava
em risco a segurança dos policiais envolvidos, segundo a corporação. Há
indícios de que as práticas ocorriam há pelo menos cinco anos.
A investigação foi iniciada em dezembro de 2018, depois que
documentos sigilosos e internos da PF foram encontrados na casa de um
investigado da Operação Ross, que teve mandados em vários estados,
incluindo endereços de Andrea e Aécio, em Minas e no Rio de Janeiro.
As apurações do inquérito concluído nesta quarta tiveram sete
mandados de busca e apreensão, três de prisão preventiva e um de prisão
temporária, quebra de sigilo telefônico, bancário, fiscal e telemático
dos suspeitos. Além de operações já concluídas, como a Capitu, os
vazamentos também estão ligados a operações ainda em curso.
Nos endereços dos advogados, a Polícia Federal encontrou também
documentos relacionados a fraudes no Cruzeiro. Os documentos foram
encaminhados à Polícia Civil de Minas Gerais, que investiga desvios de
recursos e crimes de falsidade ideológica e falsificação de documentos. O
Ministério Público de Minas Gerais também investiga o clube.
O inquérito foi encaminhado à 4ª Vara Federal de Minas Gerais e ao
Ministério Público Federal, que decide sobre a denúncia contra os
indiciados.
Provas levantadas na investigação também foram encaminhadas à
Corregedoria Regional em Minas Gerais para que seja instaurado
procedimento administrativo disciplinar sobre a atuação dos dois
policiais federais. Fonte: Folhapress