Os governadores do Nordeste divulgaram uma carta na noite desta sexta-feira (12/06) criticando o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro sobre a crise de coronavírus. O documento inicia afirmando que “não é invadindo hospitais que o Brasil vencerá a pandemia”.
A frase se
refere a uma declaração realizada pelo chefe do Executivo na live de
ontem (11). Bolsonaro fez um pedido à população: que entrassem em
hospitais públicos e/ou de campanha e filmassem leitos destinados à
covid-19, para saber se estão vazios, ou não. A ‘invasão’ recomendada
por Bolsonaro seria para que imagens fossem produzidas e repassadas em
como ‘provas’ à Polícia
Federal. Bolsonaro também afirmou que alguns
governadores estão tendo um ‘ganho político’ com as mortes relacionadas
ao novo coronavírus.
"O
governo federal adotou o negacionismo como prática permanente, e tem
insistido em não reconhecer a grave crise sanitária enfrentada pelo
Brasil, mesmo diante dos trágicos números registrados, que colocam o
país como o segundo do mundo, com mais de 800 mil casos", diz um trecho
da carta.
Os governadores completaram dizendo
que Bolsonaro continua com o mesmo ‘método inconsequente’, contrariando
orgãos da saúde: “No último episódio, que choca a todos, o presidente da
República usa as redes sociais para incentivar as pessoas a INVADIREM
HOSPITAIS, indo de encontro a todos os protocolos médicos,
desrespeitando profissionais e colocando a vida das pessoas em risco,
principalmente aquelas que estão internadas nessas unidades de saúde. O
presidente Bolsonaro segue, assim, o mesmo método inconsequente que o
levou a incentivar aglomerações por todo o país, contrariando as
orientações científicas”, apontam.
Os líderes estaduais do
Nordeste também chamaram de ‘ações espetaculares’ as operações da
Polícia Federal realizadas recentemente na investigação de compras de
respiradores e insumos hospitalares. “Após ameaças políticas reiteradas e
estranhos anúncios prévios de que haveria operações policiais,
intensificaram-se as ações espetaculares, inclusive nas casas de
governadores, sem haver sequer a prévia oitiva dos investigados e a
requisição de documentos. É como se houvesse uma absurda presunção de
que todos os processos de compra neste período de pandemia fossem
fraudados, e governadores de tudo saberiam, inclusive quanto a produtos
que estão em outros países, gerando uma inexistente responsabilidade
penal objetiva”.
Segundo eles, as operações
possuem duas consequências: retração nas equipes técnicas e a condenação
antecipada de gestores, ‘punidos com espetáculos na porta de suas casas
e das sedes dos governos’. Por fim, o grupo ressalta defender
investigações, desde que realizadas de forma ‘isenta e responsável’.
A
carta é assinada pelo governador da Bahia, Rui Costa; Renan Filho,
governador de Alagoas; Camilo Santana, governador do Ceará; Flávio Dino,
governador do Maranhão; João Azevedo, governador da Paraíba; Paulo
Câmara, governador de Pernambuco; Wellington Dias, governador do Piauí;
Fátima Bezerra, governadora do Rio Grande do Norte e Belivaldo Chagas,
governador de Sergipe.
