Assistência social: 61,5% não se sentem prontos para lidar com crise
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personBlog do Amaury Alencar
junho 10, 2020
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Estudo do Núcleo de Estudos da Burocracia, da Escola de Administração
de Empresa de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas, mostra que 61,5%
dos profissionais da assistência social no país não se sentem preparados
para lidar com a crise decorrente da covid-19. Apenas 12,8% se sentem
preparados e o restante não soube responder. O resultado é da pesquisa A
pandemia de covid-19 e os profissionais da assistência social no
Brasil. O trabalho entrevistou 439 trabalhadores de todas as regiões do
país entre os dias 15 de abril e 1º de maio de 2020. Reprodução
A pesquisa mostra ainda ainda que o medo é um sentimento comum entre
esses profissionais, já que 90,66% deles sentem receio da doença e 43,5%
conhecem amigos ou colegas que já se contaminaram com a covid-19. Além
do medo de contaminação, os profissionais temem levar o coronavírus para
dentro de suas casas.
Os pesquisadores consideram que as políticas de assistência social
têm papel estratégico na pandemia do novo coronavírus, porque seus
efeitos são heterogêneos e devastadores em populações que moram em áreas
urbanas mais pobres e densamente povoadas, expostas à maior
vulnerabilidade social.
“Embora o foco do debate público em relação ao enfrentamento à
pandemia esteja centrado nas áreas de saúde e economia, a assistência
social é essencial para minimizar os danos da crise entre os mais
pobres, viabilizando medidas econômicas e sociais coerentes com esse
segmento populacional”, diz o relatório da pesquisa.
Do perfil dos entrevistados, 85,88% são mulheres, 12,76%, homens, e
1,37% preferiram não declarar. Sobre o tempo de atuação, 34,17% estão
há pelo menos dez anos na área socioassistencial. Há uma concentração de
entrevistados que atuam na Região Sudeste (53,99%), com destaque ao
estado de São Paulo, que inclui mais da metade de todos que foram
ouvidos.
Segundo o estudo, a sensação de medo e de despreparo pode ser
explicada por outros indicadores do questionário, como a disponibilidade
de equipamento de proteção individual (EPI), o suporte governamental e o
acesso a treinamentos. Menos da metade dos profissionais (38,5%)
disse ter recebido EPI, com uma variação entre as regiões, destacando-se
positivamente o Nordeste, onde 51,78% dos profissionais receberam
equipamentos, ao contrário da Região Norte, onde o índice foi de 33,33%.
No que diz respeito ao suporte governamental, mais da metade dos
entrevistados (66,51%) disseram não sentir que o governo federal tenha
ações de proteção aos profissionais da assistência social, enquanto os
governos subnacionais tiveram uma avaliação um pouco melhor: 55,35% e
50,57% dos entrevistados sentem que, respectivamente, governos estaduais
e municipais desenvolvem ações para proteger os profissionais da área.
Sobre o apoio direto de seus superiores, 41,46% disseram não sentir esse
suporte e 54,67% disseram ter recebido instruções das chefias sobre
como atuar diante da crise.
A grande maioria afirmou não ter recebido orientações ou ações
oficiais de formação – apenas 12,98% relataram ter feito treinamento
para lidar com o novo coronavírus. Houve destaque na Região Nordeste,
onde 37,5% dos profissionais disseram ter participado de treinamentos,
em contraposição ao Norte, em que nenhum entrevistado
respondeu ter recebido.
Os pesquisadores analisaram em que medida a crise alterou os
processos de trabalho e as interações entre os profissionais da
assistência social e os cidadãos. Mais da metade (63,46%) relataram que a
dinâmica de trabalhou mudou com a pandemia, com citações recorrentes de
atendimento a distância, trabalho em escala, redução ou suspensão dos
atendimentos.
Para 74,26% dos entrevistados, mudaram também as interações com os
usuários dos serviços de assistência social. Um dos elementos que
influenciam nessa mudança é que o medo passou a permear a rotina porque o
trabalho desses profissionais exige contato próximo com as pessoas.
Entre as principais mudanças estão a realização de atendimentos
presenciais com distanciamento físico, atendimentos online ou por telefone, e até suspensões ou redução. Recomendações
As análises resultaram em um conjunto de recomendações que, segundo
os pesquisadores, deveriam ser atendidas pelos governos federal,
estaduais e municipais para melhorar a atuação dos profissionais neste
momento de crise, garantindo a eles recursos, informações e a proteção
necessária.
Entre as recomendações estão a distribuição de EPI de qualidade para
todos os profissionais dos diferentes níveis de atenção; formação e
treinamento adequados para que os profissionais estejam mais preparados
para enfrentar a crise, especialmente aqueles que continuam realizando
atendimento presencial, utilizando tecnologias simples, como vídeos com
transmissão online, infográficos ou outros materiais de
comunicação simples e assertiva que cheguem à ponta rapidamente; e
distribuição de material informativo oficial para profissionais
repassarem à população e combater as notícias falsas.
Além disso, recomenda-se a adoção de políticas de suporte emocional e
psicológico para os profissionais da ponta, por exemplo,
disponibilizando psicólogos para fazerem o acompanhamento
desses profissionais. Fonte: Agência Brasil