A Universidade Federal
Fluminense (UFF) já conseguiu concluir a primeira versão dos
ventiladores mecânicos que vão suprir as necessidades de instituições de
saúde do estado do Rio de Janeiro. Os equipamentos serão doados pela
equipe do curso de engenharia elétrica não só para o Hospital
Universitário Antonio Pedro (Huap), da UFF, mas a todas as instituições
de saúde que se cadastrarem para recebê-los.
O coordenador do curso de engenharia elétrica da UFF, Daniel Henrique Nogueira Dias, informou à Agência Brasil que
estão sendo feitos testes para resolução de alguns problemas
detectados, de modo a permitir que a segunda versão dos ventiladores
mecânicos possa ser montada até amanhã (15). “A gente depende de insumos
que estão chegando”, explicou.
Com a segunda versão aprovada e funcionando,
o próximo passo será fazer testes clínicos no Huap, onde outra parte da
equipe do curso de engenharia elétrica está trabalhando em um sistema
para duplicação de ventiladores. “A ideia é levar isso para o Huap e
usar os equipamentos que eles têm lá disponíveis, como um pulmão
artificial, e a gente começa a fazer os testes, monitorando pressão e
fluxo, para ver se eles estão de acordo com o que se espera do que seria
a aplicação em seres humanos. Essa é a primeira etapa”, destacou Dias.
Certificação
Com os testes clínicos aprovados, a próxima
fase é a certificação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), que facilitou muito a parte burocrática de todo o processo,
segundo o professor da UFF. A expectativa é conseguir submeter o pedido
de certificação à Anvisa já na semana que vem, para dar início à
fabricação em escala.
“Algumas das adaptações que estamos fazendo
na segunda versão [dos ventiladores] já é pensando na produção em
escala, para facilitar a produção rápida disso. São coisas complexas que
não podem demorar muito para ser feitas”, afirmou Dias.
O projeto faz parte da Frente UFF,
iniciativa que reúne professores, alunos, colaboradores da comunidade
interna e externa, no combate os efeitos do novo coronavírus antes,
durante e após a pandemia. A frente trabalha somente com doações.
O projeto de produção do ventilador mecânico
somou-se a outro que já estava em andamento na universidade, de
confecção de equipamentos de proteção individual (EPIs), como máscaras e
roupas de proteção para trabalhadores da área de saúde que estão na
linha de frente no combate à covid-19.
Para distribuir os ventiladores, será criado
um cadastro para que unidades de saúde que precisam do equipamento
façam seus pedidos. “A gente vai tentar atender a todos, dentro da
necessidade de cada hospital”, assegurou o coordenador do curso de
engenharia elétrica da UFF.
A equipe aguarda a divulgação de resultado
de edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro
(Faperj) para ter acesso a recursos financeiros suficientes para
montar 200 ventiladores mecânicos até o final de junho. “Acredito que a
necessidade vai ser muito maior do que isso”, disse o professor.
Protótipo
Dias conta que os protótipos se basearam em
modelos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos,
dsponibilizados livremente. “O sistema é montado partindo de um projeto
que foi desenvolvido pelo pessoal do Instituto de Tecnologia de
Massachusetts que o disponibilizou de forma livre e aberta para todo
mundo que quisesse pegar e desenvolver. A gente está fazendo nossas
adaptações [de componentes] para se adequar às condições que tem aqui no
país”.
Uma vez concluído o projeto da UFF,
o objetivo da equipe é deixá-lo livre também, para que qualquer pessoa
do Brasil ou do mundo possa baixá-lo e utilizá-lo, inclusive para fins
comerciais.
A equipe está pensando também em terceirizar
boa parte da produção de componentes, como placas de circuito impresso,
usadas na parte eletrônica, e que são produzidas atualmente na
universidade, para ficar só com a montagem final dentro da UFF. “Acho
que isso pode acelerar a produção. A gente só montaria essas peças”,
disse Dias.