O governador do Ceará, Camilo Santana (PT),
divulgou nesta quinta-feira, 28, como se dará a fase de teste da
reabertura gradual das atividades, que começa na segunda-feira, 1º de junho. O chefe do executivo estadual informou que 66.975 pessoas voltarão ao trabalho na data, que terá a retomada de 17 setores sob monitoramento e regras de funcionamento, incluindo construção civil, serviços médicos e até salões de beleza.
Batizado de "Plano Responsável de Abertura das
Atividades Econômicas e Comportamentais", o cronograma conta com quatro
etapas após a fase teste. A primeira poderá ter início no dia 8 de junho
e somará 14 dias (tempo médio de duração do coronavírus), com a liberação de outros 85.668 trabalhadores e mais algumas cadeias da indústria, serviços e comércio. Entretanto, é preciso acompanhar o desempenho da saúde para avançar nas aberturas, que leva em conta critérios como ocupação dos leitos de UTIs, internações e óbitos.
Camilo reiterou, ainda, que o decreto de isolamento
social será mantido. "Não adianta começar a abrir e, daqui a pouco, se
os casos aumentam, ter que retroceder a um processo mais rígido. Nossa
prioridade é salvar vidas. Assim, é fundamental o compromisso das empresas com os funcionários e o comportamento da população", afirmou.
A segunda fase do plano abrange mais 131.387
trabalhadores; a terceira, 175.155; já a quarta e última, que libera
atividades de grande aglomeração, como escolas, projeta liberar outras
123.134 pessoas. Com o retorno pleno das atividades, 1.472.504 empregos
formais voltarão a circular.
O secretário da Saúde do Estado, Carlos Roberto Martins
Rodrigues, o Dr. Cabeto, acrescenta que as empresas devem seguir normas
para funcionar. Ele diz que é obrigatório o cuidado com os
funcionários, o distanciamento social, a higienização dentro dos
ambientes. Frisa que o setor de vigilância sanitária e
epidemiológica da pasta vai visitar as unidades para fazer testagem com
alguns trabalhadores e realizar cálculos estatísticos.
Contemplada já no período de transição (teste), a construção civil retoma apenas em canteiros de até 100 operários (30% da cadeia produtiva).
Presidente do Sindicato das Construtoras do Ceará (Sinduscon-CE),
Patriolino Dias comemorou a medida. "Agora poderemos voltar ao nosso
trabalho. Voltar a vender e lançar empreendimentos, fazendo a construção
civil ser a mola propulsora da nossa economia".
No caso do comércio, que está na fase de teste apenas
em algumas categorias, como material de construção, óticas e salões de
beleza, a grande retomada acontece no dia 8 de junho, durante a primeira
fase do planejamento. Conforme o presidente da Federação do Comércio de
Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), Maurício
Filizola, tanto lojas de rua como de shoppings, nas categorias liberadas pelo Governo, poderão atuar na data.
Quem também destacou a importância de seguir os
protocolos foi o presidente da Federação das Indústrias do Estado
(Fiec), Ricardo Cavalcante. O setor faz parte da fase de transição em
algumas categorias. "Entendemos a importância de garantir empregos,
gerar renda, distribuir riqueza. Mas também sabemos que, somente
conseguiremos seguir com esse compromisso, se mantivermos os nossos
trabalhadores aptos ao serviço de suas atividades, respeitando todos os
protocolos sanitários".
Já o setor de alimentação fora do lar, que engloba
restaurantes, somente consta na segunda fase do plano do Governo, e com
funcionamento das 9 às 16 horas. Conforme a Associação Brasileira de
Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE) essa retomada é prevista para
22 de junho, o que não atende às necessidades do setor. "Queremos retomar já na primeira fase, após a transição, com horários reduzidos e medidas de segurança.
Isso é necessário até mesmo para atender às pessoas que retornarão ao
trabalho e que precisarão fazer suas refeições", comenta Taiene
Righetto, diretor executivo da Abrasel-CE, acrescentando que já foi
enviado ofício à Casa Civil com o pleito.
O presidente da Abrasel, Rodolphe Trindade, destaca que
outras cidades que reabriram e não colocaram os restaurantes para
atender os trabalhadores tiveram problemas com aglomerações. "Em Porto
Alegre e Belo Horizonte, os supermercados e padarias ficaram lotados,
isso sem falar em aglomerações na rua. Os trabalhadores merecem um lugar decente e com todos os cuidados para fazer suas refeições", argumenta.
o povo