A rotina do músico Reinaldo dos Santos Lima mudará drasticamente a partir desta segunda-feira, 2, quando embarcará para Brasília rumo a um sonho: o de estudar Música na Universidade de Brasília (UnB).
O cearense natural de Pacatuba tocava nas ruas da Capital para arcar
com custos de inscrições em eventos. Conseguiu tudo com muito apoio dos
familiares, amigos e, claro, amor pela viola, instrumento musical que toca desde os 18 anos de idade.
Filho de um pedreiro e de uma costureira, sua
história com a música começou aos 10 anos, quando passou a ter aulas de
violão na escola onde estudava. No ensino médio, conheceu um amigo que
participava da Orquestra Municipal de Pacatuba e o incentivou a
participar do grupo em troca de apresentações pela prefeitura da cidade.
Logo conheceu em Fortaleza a Orquestra da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Anos
de estudo foram dedicados por Reinaldo, até que conseguiu entrar no
grupo, além de aulas duas vezes por semana na Casa de Vovó Dedé,
instituição sem fins lucrativos que incentiva a arte e a cultura a
jovens da periferia de Fortaleza. Como ainda residia na Pacatuba, o
trajeto diário entre a cidade e a Capital era feito apenas duas vezes
por semana por causa dos custos com transporte.
A Universidade de Brasília entrou em seus
sonhos em 2018. Um festival pago realizado em Fortaleza oferecia cursos
de viola com um professor da instituição. No entanto, a falta
de dinheiro se tornou um obstáculo para o sonho do estudante, que passou
a tocar nas ruas da Capital para arcar com os custos da inscrição. "Eu chegava a tocar três horas por dia e, dependendo de quando eu tinha aula, chegava a tocar por até seis horas seguidas", diz. Todos os dias, Reinaldo tangia a viola da praça Murilo Borges à Praia de Iracema, da aula a praça e vice-versa.
Após a inscrição no evento, Reinaldo conseguiu criar laços com um professor da UnB. "Quando chegou a minha hora de ensaiar, eu não me segurava. Quis ser o primeiro da apresentação", relembra aos risos o artista. A ansiedade devia-se ao fato de o estudante querer realmente mostrar que estava aprendendo com os treinos na Casa de Vovó Dedé e com as experiências musicais passadas.
Logo os elogios surgiram e Reinaldo foi incentivado pelo próprio professor a fazer o teste de aptidão na universidade. Ele teve apoio direto do professor, que chegou a oferecer estadia para o cearense em Brasília. Ao chegar no Estado, o estudante manteve uma rotina de estudos para o teste final. "Chegava a passar o dia inteiro na biblioteca da universidade".
De passagens compradas, o estudante teve de voltar a Pacatuba. O resultado final, com a aprovação, saiu no mesmo dia em que Reinaldo chegou ao Ceará. O músico recebeu a notícia por amigos, que acompanharam toda a trajetória até o sonho final. A
barreira financeira apareceu novamente, mas com um final feliz:
Reinaldo teve uma bolsa de estudos financiada pela diretoria do Emílio
Ribas Medicina Diagnóstica.
s.
“A ideia em 2020 é realmente criar uma equipe de talentos na arte, na
cultura e no esporte”, afirma a diretora da empresa, Rachel Petrola.
O cearense admite estar bastante nervoso com a viagem,
pois é sua primeira vez em um avião. A ansiedade pelo novo anima o
músico, que fará especialização no instrumento viola por meio do curso da universidade, uma das mais renomadas do País. "Se a pessoa acreditar bastante em um sonho, ela vai conseguir", afirma.
o Povo