Governadores criticaram o pronunciamento de Jair Bolsonaro em rede nacional, na noite desta terça (24), e dizem que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, perdeu legitimidade no governo.
O presidente voltou a se referir ao coronavírus como "gripezinha", disse que o isolamento é exagero, criticou os gestores que optaram por fechar escolas e culpou a imprensa pelo que chama de histeria.
Segundo o Ministério da Saúde, 46 pessoas morreram vítimas da doença e mais de 2.000 foram infectadas.

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), afirmou que a fala indica que "estamos sem direção".
"Desconectado da realidade, desconectado da ação do Ministério da Saúde, atrapalha o trabalho dos governadores e menospreza os efeitos da pandemia", afirmou.

"Os governadores precisam se reunir, estamos sem coordenação. O ministro e os governadores de um lado e o presidente menosprezando a pandemia de outro", disse.

O discurso, segundo o capixaba, desautoriza ainda o trabalho do ministro Mandetta.
"O ministro não tem legitimidade para permanecer mais no ministério", disse.
Flávio Dino (PC do B), governador do Maranhão, avalia que Bolsonaro "viu que perdeu a governabilidade".

"Ele mesmo deflagrou o seu próprio processo de impeachment. Está completamente fora da realidade", afirmou.

Fátima Bezerra (PT), governadora do Rio Grande do Norte, disse que a declaração "é de uma perplexidade sem tamanho, é inaceitável e lamentável".

"Confesso que depois da iniciativa do presidente, de ter atendido os governadores, achei que fosse mudar", disse ela. "E aí hoje ele vem com essa postura e com esse conteúdo, totalmente na contramão de todas as medidas que, com tanto esforço e responsabilidade, os governadores e prefeitos vêm enfrentando a pandemia?".

A gestora afirmou que os cuidados estão sendo recomendados em todo o mundo e que o país precisa de união contra a doença.

"Espero que o presidente não insista nesse caminho", afirmou ela.

Wellington Dias (PT), do Piauí, gravou um vídeo em que lembrou que uma boa parcela dos infectados pelo coronavírus em outros países estão sendo internados por semanas na UTI, entubados.
"No Piauí tive que tomar medidas duras, de suspender cirurgias marcadas, de casos importantes, seguindo orientação do ministro da Saúde do seu governo [de Bolsonaro] para garantir vagas para quem pudesse precisar, por conta do coronavírus [...] ​Não se faz isso por uma gripezinha."
"Sei que as pessoas terão prejuízo mas há algo em primeiro lugar agora, é a vida humana [...] Vamos seguir com o isolamento social onde for necessário, com a ciência e com Deus", disse.
Hélder Barbalho (MDB), governador do Pará, informou em nota que trabalha para assegurar tratamento dos infectados.


"Todo o nosso objetivo é aliviar o sistema de saúde para que as pessoas que eventualmente fiquem doentes possam ser tratadas. Por isso, suspendemos temporiariamente as aulas, festas, o comércio e os bares. Com menos gente circulando, o vírus circula menos e a gente não tem uma multidão batendo nas portas dos hospitais ao mesmo tempo", disse.

Ele afirmou ainda que espera que as medidas anunciadas pelo ministro Paulo Guedes (Economia) "precisam ser colocadas em prática imediatamente, porque as empresas não aguentam muito tempo."
Camilo Santana (PT), governador do Ceará, publicou em suas redes sociais um comentário em que afirma que todas as medidas tomadas foram recomendadas por profissionais da saúde "e têm sido a melhor forma de enfrentamento ao coronavírus".

"Tenho apenas um comentário a fazer: vamos continuar trabalhando fortemente as ações que visam evitar o avanço do coronavírus em nosso estado, como temos feito até aqui".


Folha de São Paulo 
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