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União liberou apenas 39% do recurso para manter estradas no Ceará


BR-222, no município de Caucaia, próximo ao Posto da Policia Rodoviária Federal
BR-222, no município de Caucaia, próximo ao Posto da Policia Rodoviária Federal
As intervenções de manutenção e melhorias das BRs cearenses receberam apenas 39% do total de repasses necessários para os trabalhos em 2020. O repasse de R$ 63,6 milhões recebidos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no Ceará (Dnit/CE) para obras necessárias na malha viária de responsabilidade do Governo Federal no Ceará fica aquém do necessário, que seria de mais de R$ 160 milhões.

A responsabilidade do órgão estadual inclui 10 rodovias que cortam o Estado. Algumas delas aguardando conclusão de trabalhos, como é o caso da duplicação da BR-222. O vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Ceará (Ibef-CE), Luís Eduardo Barros, diz que "do ponto de vista objetivo", como foi liberada menos da metade dos recursos julgados necessários pelo Dnit/CE, haverá problemas com a manutenção das estradas.

No entanto, ele ressalta que, pelos problemas de enchentes enfrentados no Sudeste, receber mais de R$ 60 milhões é positivo. "A disputa por recursos é muito grande. Nada impede que nos próximos meses possamos receber mais".

Esse é o segundo ano consecutivo em que os repasses federais para a manutenções das estradas cearenses ficam aquém ao necessário. Em 2019, o valor inicial foi de R$ 50 milhões. Exatamente um terço do que a superintendência do Dnit no Ceará julgava necessário, R$ 150 milhões.

Carlos Manta Pinto de Araújo é professor do Departamento de Administração da Universidade Federal do Ceará (UFC), mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especialista em logística. Ele comenta que o não pagamento de recursos na integralidade está atrelado à restrição orçamentária, que priva maiores investimentos em infraestrutura.

O professor ainda diz que com a intensidade das chuvas da quadra chuvosa cearense, a situação deve piorar, mas acrescenta, "é um problema interestadual". "O ideal seria que o Estado tivesse condições de realizar a manutenção por meio de investimentos próprios", analisa.

Por meio de nota, o Dnit/CE diz que todas as estradas têm passado por serviços mais básicos e rotineiros, como roçada, capina, tapa buracos e limpeza de dispositivos de drenagem. E alguns trechos localizados passam por intervenções maiores.

Outras obras que já se arrastam há vários anos, como a construção de viaduto em Tianguá (término era em 2008) e outro em Horizonte (atraso desde 2015) e a duplicação da BR-222 (com previsão de ser entregue em 30 meses, a partir de 2015), serão consideradas prioridades e receberão o investimento com o valor repassado.

Sobre a duplicação da BR-222, no trecho compreendido entre o Km 11 e o Km 35, o órgão diz que "no âmbito dos serviços de duplicação, a autarquia vem trabalhando na construção de quatro das cinco pontes previstas para o trecho. Além disso, já foram iniciados os serviços de pavimentação para aplicação das placas de concreto do pavimento rígido que irá compor a nova pista".

Para a manutenção dos trechos com problemas, a superintendência conta com "toda a malha viária pavimentada cearense coberta por contratos de manutenção/conservação vigentes".
(Foto: )

 
Novidades sobre Anel Viário
 


Realizada em convênio entre o Governo Federal e o Governo do Estado, as obras do Anel Viário enfrentam imbróglio desde o início de dezembro do ano passado, quando a principal empresa do consórcio que toca as obras entrou com processo de recuperação judicial. As obras estão praticamente paradas e a Superintendência de Obras Públicas (SOP), ligada à Secretária da Infraestrutura do Estado (Seinfra), trabalha para incluir uma nova empresa em condições de concluir as obras no atual consórcio.

 O trâmite jurídico está em andamento e, segundo O POVO apurou, as tratativas continuam. A SOP e Dnit estão acompanhando, mas ainda não está oficializado o acerto já que é preciso que um acordo entre as
partes seja formalizado.


Na última sexta-feira, 7, o governador Camilo Santana (PT) recebeu no Palácio da Abolição o diretor geral do Dnit, general Santos Filho. No encontro foi debatido o andamento das obras estruturantes no Estado que dependem do trabalho do Dnit. Santos Filho disse que existe "expectativa forte de conclusão" de obras neste ano e ainda projetou o início de outros
 projetos em parceria com o Estado.

Em entrevista no fim de janeiro, o superintendente da SOP, Quintino Vieira, disse que, caso os encaminhamentos jurídicos sejam resolvidos brevemente, o Anel Viário pode ser entregue até o fim de outubro. Na reunião de sexta-feira, o governador reforçou a parceria com o Dnit e falou sobre a importância da obra. "O Anel Viário é uma obra importantíssima. Vamos ter a rota toda duplicada, do Porto do Mucuripe até o Porto do Pecém, livrando o fluxo de carga pesada de dentro da capital".


o POVO