O projeto de pesquisa ACP Lacte criou um produto
composto por água de coco e leite de cabra, com o mesmo valor
nutricional do leite materno. O projeto foi apresentado durante a 65ª
Exposição Agropecuária e Industrial do Ceará (Expoece), no Parque de
Exposições do Ceará Governador César Cals. ACP é abreviatura para água
de coco em pó e lacte é a derivação para leite. O alimento é voltado
para crianças de zero a três anos e para pessoas com sensibilidade ao
leite comum.
O composto foi idealizado pelos pesquisadores
José Ferreira Nunes e Cristiane Mello, da Universidade Estadual do Ceará
(Uece), mesmos criadores da pomada de água de coco. Ele tem o objetivo
de diminuir a deficiência proteica na primeira infância de crianças do
Nordeste, além de oferecer uma alternativa para as pessoas com alergia
ao leite comum.
A descoberta veio a partir de um experimento caseiro de
Nunes, que misturou água de coco em pó que tinha em casa com leite de
cabra, que tinha comprado no supermercado. O pesquisador trabalha há 37
anos com caprinos, e como afirma Cristiane Mello, fez os experimentos
por conhecer os benefícios do leite de cabra.
Após o ensaio caseiro, Nunes solicitou que o teste
fosse feito em maquinário na empresa da Uece, com a mistura da água de
coco e leite de cabra líquidos para obtenção do produto em pó.
A pesquisadora Cristiane Mello afirma que o leite de
cabra tem níveis mais altos de aminoácidos essenciais e vitamina A, B6 e
niacina; um maior valor nutricional em comparação ao leite de vaca,
devido a estruturas de proteínas; potencial para reações menos
alergênicas; e contém lipídios benéficos para o combate de várias
doenças.
A água de coco em pó (ACP) foi criada em 2002 pelos
pesquisadores Cristiane Mello, José Ferreira Nunes e João Monteiro
Gondim. A partir de então, produtos a partir da água de coco em pó estão
sendo desenvolvidos em parceria com a Uece e a faculdade de
veterinária. A pomada feita a partir da água de coco em pó,
destinada a vários problemas de pele, inclusive ferimentos provocados
pela diabetes, foi desenvolvida pelos pesquisadores em maio deste ano.
A previsão para o lançamento do produto para consumo
está para o final do primeiro semestre de 2020, mas vários testes ainda
devem ser feitos. "Sabendo da composição da água de coco, do leite de
cabra e do bioproduto feito a partir deles (ACP Lacte), haverá um estudo
de uma equipe de médicos nutrólogos, médicos pediatras, médicos,
gastroenterologistas, nutricionistas, farmacêuticos, e colaboradores
para melhor estudar a proporção entre água de coco e leite de cabra para
cada público alvo", detalha Cristiane.
Ela explica que a planta-piloto do projeto já tem a
autorização do Ministério da Agricultura para processar a água de coco e
certificação do Programa Alimento Seguro (PAS). A autorização para o
processamento do leite de cabra já foi solicitada. O produto já conta
também com apoio institucional da Uece.
Os encontros e palestras que foram realizadas nos
últimos dias focaram em apresentar o produto aos produtores de caprinos
leiteiros e iniciar conversas sobre estratégias para estimular produção
de leite de cabra. A produção está concentrada em pequenos produtores,
podendo ser um fator propulsor do aumento da renda e da qualidade de
vida dessas pessoas.
Testes clínicos estão sendo planejados para acontecer no Hospital Albert Sabin e no Instituto da Primeira Infância (Iprede).
O povo