Discussões no trânsito, confusão em festas, brigas
em partida de futebol. Enquanto os ânimos estão alterados, perder a
razão é comum. E, infelizmente, situações desagradáveis assim ocorrem no
cotidiano com frequência. Apesar dos contextos violentos, esses
cenários geralmente não acabam protagonizando homicídios. Mas imagine
como seria o desfecho dessas histórias se alguém estivesse com uma arma
de fogo no momento. É essa a reflexão que a campanha contra o porte de
armas pelo cidadão comum, do Movimento pela Vida e Não-Violência,
MOVIDA, traz em três vídeos lançados no início de setembro.
Os filmes apresentam cenas de estresse e descontrole
momentâneo, como um desentendimento entre dois senhores na hora de
estacionar o carro; um conflito entre duas pessoas que se esbarram em
uma festa; e uma reação agressiva em um jogo de futebol entre colegas.
Em todas as circunstâncias, o espectador tem a informação de que uma das
pessoas tem um revólver. Quando percebe-se que a tragédia parece ser
inevitável, vem a revelação: a arma, ainda bem, está em casa. Ou seja,
um instante de raiva não passa de um instante. Muito menos se transforma
em fatalidade.
Criados pela Delantero em parceria com a produtora
Polegar Opositor, os vídeos podem ser vistos nas redes sociais do MOVIDA
e da própria agência, e também nos portais publicitários Best Ads, Ads
of the World e Adeevee. Além de enfatizar o trabalho realizado pelo
Movimento, que integra membros com a missão de salvar vidas, a campanha
vem alertar sobre os riscos reais a que a população brasileira estará
submetida com a liberação do porte de armas pelo cidadão comum.
Segundo o MOVIDA, pesquisas científicas mostram que o
acesso ao porte de armas pode ocasionar verdadeiras tragédias em
episódios que não passariam de bate-boca. Há pesquisas científicas que
também apontam outro fator de risco desse tipo de porte: o aumento do
arsenal de criminosos. De acordo com o Ministério da Justiça, em 2010,
30% das armas apreendidas por infratores tinham origem legal.
Dados tão desfavoráveis mostram que o debate é urgente e
que, pelo menos por enquanto, o controle de armamento ainda funciona
como salva-vidas em muitos instantes de raiva. Sinal de que os desgastes
diários, felizmente, ainda não ultrapassaram os limites da vida humana.
o Povo