A tentativa do senador Flávio Bolsonaro (PL) de anular o segundo turno da eleição presidencial perdeu força diante da avaliação de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) de que não existem elementos capazes de justificar a invalidação do resultado que garantiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Derrotado por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos, Flávio anunciou que pretende recorrer à Justiça, questionando principalmente a decisão que prorrogou a votação até as 19 horas, após denúncias de dificuldades no transporte público em diferentes cidades brasileiras.
A avaliação predominante entre integrantes das duas Cortes, segundo as informações divulgadas, é de que a contestação não apresenta fundamentos suficientes para comprometer a legitimidade da eleição.
NUNES MARQUES DEFENDE INTEGRIDADE DO PROCESSO
Ao anunciar a vitória de Lula, na noite de domingo (25), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação do horário de votação não comprometeu a apuração nem alterou o funcionamento do sistema eleitoral.
“Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”, declarou.
O TSE também desmentiu a afirmação de Flávio de que fiscais do PL teriam sido retirados da sala-cofre durante a apuração.
Segundo a Justiça Eleitoral, a declaração é falsa porque a sala-cofre não é aberta à visitação. O Tribunal esclareceu que fiscais partidários, observadores internacionais, advogados e representantes do Ministério Público puderam acompanhar a totalização dos votos nos espaços destinados à fiscalização.
DIFERENÇA DE 4,4 MILHÕES DE VOTOS ENFRAQUECE CONTESTAÇÃO
Outro dado citado nas avaliações sobre a contestação é a diferença expressiva entre os candidatos.
Lula recebeu aproximadamente 64,2 milhões de votos, ou 51,79% dos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro somou 59,8 milhões, equivalentes a 48,21%.
Segundo os números apresentados, pouco mais de 30 mil votos foram registrados durante as duas horas adicionais de votação, quantidade muito inferior à vantagem superior a 4,4 milhões de votos conquistada pelo presidente reeleito.
Embora a diferença numérica não elimine o direito de questionamento judicial, ela é considerada relevante na análise de eventuais alegações de impacto da prorrogação sobre o resultado.
Assim, enquanto Flávio insiste na possibilidade de pedir a anulação da eleição, as manifestações atribuídas a integrantes do TSE e do STF apontam para o reconhecimento da validade do pleito.
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