Crédito: Aurélio Alves/O POVO e Vitor Silva/CBF
Em vídeo publicado no Instagram neste sábado, 17, o jogador Richarlison se manifestou publicamente sobre a disputa judicial em torno de uma mansão de alto padrão que envolve o advogado Willer Tomaz e o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) como testemunha em um dos processos.
Avaliado em cerca de R$ 10 milhões, o imóvel está localizado na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O caso, que voltou ao debate após comentários duros do jogador do Tottenham, tem repercutido nas redes sociais. Veja mais detalhes a seguir.
O atleta comentou o imbróglio em uma publicação explicativa sobre a diferença jurídica entre propriedade e posse. Ele detalhou prejuízos financeiros e apontou suposta interferência direta no processo.
Já no vídeo divulgado neste sábado, Richarlison cobrou expressamente explicações do senador, que disputa a eleição presidencial contra Lula (PT), e afirmou que a propriedade foi tirada de seu controle de forma injusta.
O histórico da negociação e a visita do senador
A controvérsia teve início entre 2020 e 2021, período da pandemia de Covid-19, quando a Sport 70 — empresa ligada a Richarlison e ao empresário Renato Velasco — negociou e adquiriu a mansão com 11 suítes, heliponto, praia privativa e cachoeira.
Segundo os relatos que constam nos autos e nas manifestações do jogador, Flávio Bolsonaro demonstrou interesse inicial na compra da ilha ao utilizar um drone para filmar a propriedade durante o processo de transação
Apesar disso, o negócio com a empresa do atleta foi mantido. Relatos indicam que, mesmo após a conclusão da venda, o senador retornou ao local acompanhado de Willer Tomaz, seu amigo de longa data, insistindo em saber se a negociação comercial poderia ser desfeita.
A partir deste ponto, o cenário jurídico mudou com a entrada de uma empresa, a M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda, que reivindicava antigos direitos possessórios da área.
A empresa alegou ser detentora dos direitos de ocupação do imóvel, os quais foram adquiridos do marido da cantora Clara Nunes, em 1986. Décadas depois, representantes dos antigos titulares reivindicaram a posse.
O advogado da M Locadora era sócio de Willer Tomaz, que já havia visitado a mansão ao lado de Flávio.
Enquanto a disputa avançava nos tribunais do Rio de Janeiro, a mansão passou a ser alvo de medidas de reintegração de posse obtidas pela parte ligada a Willer.
As medidas resultaram na retirada da esposa de Renato Velasco, que na época estava grávida e morava no local. Segundo ele, o episódio levou à antecipação do parto devido ao estresse.
Willer Tomaz chegou a chamar Richarlison e seu empresário de "invasores". Flávio Bolsonaro foi incluído na lista de testemunhas de uma ação judicial relacionada ao imóvel, mas afirmou, à época, nunca ter sido parte do processo. E reforçou que sua relação com Willer era de amizade.
A batalha judicial culminou, em 2025, em uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que manteve o entendimento favorável à empresa associada ao advogado, sob o argumento de que recursos especiais não permitem o reexame de provas e de cláusulas contratuais.
