PDT discutirá possibilidade de formar federação em convenção na próxima semana

Blog do  Amaury Alencar
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                                                                                Crédito: FÁBIO LIMA


O Partido Democrático Trabalhista (PDT) convocou os membros da sigla para uma convenção nacional na próxima semana, no dia 27 de outubro. Além da análise de conjuntura, que se dará após o 2° turno das eleições presidenciais do Brasil, o PDT vai debater a possibilidade de integrar uma federação ou ser parte de incorporação ou fusão.

No radar dos trabalhistas estão possíveis parcerias com siglas como PSB, Psol, Rede, PSDB, Avante, PRD e Solidariedade. Além do PDT, as federações Psol/Rede e PRD/Solidariedade, o Avante e outras siglas também não atingiram a cláusula de barreira  nas eleições deste ano.

Presidente do PDT no Ceará, o deputado federal André Figueiredo disse ser a favor de constituir uma federação. “Sou favorável a Federação, claro. Mas teremos ainda essa semana para discutir qual”, pontuou.

Indagado sobre a preferência por parceiro e se o mais provável era uma federação com o Partido Socialista Brasileiro (PSB), possibilidade já discutida por ambas as siglas anteriormente, Figueiredo se limitou a dizer que “O PSB é uma das possibilidades”.

A reunião entre filiados ocorrerá de forma híbrida, virtualmente e na sede da Fundação Leonel Brizola, no centro do Rio de Janeiro, das 14h às 17h. O partido também deve aprovar a delegação para a Executiva Nacional do PDT efetivar os partidos ou federação do qual participará.

O PDT foi protagonista da política cearense durante cerca de dez anos, fazendo bancadas expressivas para a Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) e Câmara dos Deputados, além de diversas prefeituras, entre elas a de Fortaleza, governada pelo partido por oito anos.

O domínio do PDT, junto ao PT, começou com o ingresso de Cid e Ciro Gomes no partido, em 2015. A partir dali, diversos políticos alinhados ao grupo passaram a integrar a legenda. Em 2016, o PDT reelegeu Roberto Cláudio [eleito em 2012 pelo PSB] e fez uma bancada de 11 vereadores na Capital, a maior da CMFor.

Em 2018, Izolda Cela foi reeleita vice-governadora pelo partido, que fez de Cid Gomes o senador mais votado do Ceará naquele ano. Além disso, elegeu seis dos 22 deputados federais cearenses e 14 dos 46 deputados estaduais, maior bancada da Alece.

Em 2020 a sigla continuou comandando a Prefeitura de Fortaleza com a reeleição de José Sarto. Mesmo com uma candidatura do PT, Luizianne Lins, o então governador Camilo Santana (PT) era mais próximo do grupo do candidato do PDT. O partido, mais uma vez, fez a maior bancada da CMFor, com dez parlamentares.

Nesse meio tempo, o PDT também comandou as duas principais casas legislativas cearenses, além de posições de destaque nas secretarias estaduais. Na CMFor, Antônio Henrique e Gardel Rolim comandaram a Casa, enquanto a Alece teve José Sarto e Evandro Leitão [prefeito de Fortaleza e agora no PT]. Atualmente, nenhum dos nomes está mais no partido.

Em abril de 2022, Izolda Cela virou governadora do Estado pelo PDT após a renúncia de Camilo Santana para concorrer ao Senado Federal.

A partir daí, a aliança entre PDT e PT começou a ruir. De um lado, o grupo mais próximo de Ciro Gomes defendeu a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio ao Abolição. Do outro, Camilo Santana defendia como natural a reeleição de Izolda.

A disputa foi para o voto no diretório. Em uma disputa quente, com muitas discussões e ânimos acalorados, o grupo de Ciro venceu e Roberto Cláudio foi o candidato do PDT ao Governo do Ceará. Camilo lançou Elmano de Freitas pelo PT, que foi eleito em primeiro turno. Enquanto Roberto ficou na terceira colocação, perdendo inclusive em Fortaleza.

Como o “racha” se deu após a janela partidária, o partido ainda fez a maior bancada da Alece, com 13 parlamentares, e elegeu cinco deputados federais.

O PDT, no entanto, ficou dividido em duas alas: os “ciristas”, alinhados a Ciro Gomes, e os “governistas”, alinhados ao governador Elmano de Freitas, ao ministro Camilo Santana e ao senador Cid Gomes, que se isolou do processo de 2022.

 Em 2024, o partido tentou um “último suspiro” no Estado tentando reeleger José Sarto prefeito da Capital. Não deu certo, perdeu o comando de Fortaleza para o PT, não conseguindo ir inclusive ao segundo turno e amargando apenas 11,76% dos votos dos fortalezenses. Ainda assim, elegeu oito vereadores. Hoje, apenas cinco estão no partido.

Em 2026, o PDT perdeu força. Não elegeu deputado federal, tampouco deputado estadual; e sequer conseguiu montar uma chapa competitiva, amargando apenas 20 mil votos em todo o Estado, desempenho menos pior apenas do que Novo, Podemos, Unidade Popular e PSTU.

No âmbito nacional, a sigla não conseguiu atingir a cláusula de barreira e deve recorrer à federação para continuar tendo acesso ao financiamento partidário.

                                        o Povo 

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