Crédito: Ricardo Stuckert
Com 98,27% das seções totalizadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo, 25, para mais um mandato como presidente da República, com 51,75% dos votos válidos. O petista derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno das eleições, que obteve 48,25% dos votos. Com o resultado, Lula irá para o seu quarto mandato no comando do País.
Resultado para a Presidência da República
- Lula (PT): 51,75%
- Flávio Bolsonaro (PL): 48,25%
- Lula (PT): 51,75%
- Flávio Bolsonaro (PL): 48,25%
Virada do petista e campanha
A vitória de Lula marca a primeira virada de uma eleição presidencial no segundo turno. No último dia 4 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03%, equivalente a 56.104.503 de votos, enquanto Lula ficou logo atrás, com 45,16% dos votos, 53.879.538 de votos. A diferença entre os dois era de 2,2 milhões de votos.
Após o fim do primeiro turno, a campanha petista buscou fortalecer a presença de Lula nas redes sociais. O canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado e administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), foi o principal meio de comunicação com os apoiadores do presidente. O canal, com mais de 7 milhões de seguidores, era utilizado para compartilhar vídeos, áudios e orientações de atos realizados nas redes sociais e nas ruas.
A coordenação da campanha de Lula também deu uma guinada no segundo turno com maior atuação de nomes do PT Nordeste, como o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT-PI) e o senador reeleito Rui Costa (PT-BA). Logo após o resultado do primeiro turno, Lula se reuniu com aliados em Brasília para discutir estratégias para a virada. O presidente participou de mais atos nas ruas e mobilizou manifestações em diferentes estados. A presença de Lula no meio digital também aumentou e o presidente adotou a filmagem no estilo “selfie” para os vídeos publicados nas redes sociais.
A campanha de Lula também foi impulsionada pela promulgação do fim da escala 6x1, aprovada no Senado Federal logo após o fim do primeiro turno. A medida era defendida pelo presidente reeleito e a aprovação na Câmara Alta representou uma vitória para a campanha petista. O senador Flávio Bolsonaro se mostrava contrário à proposta e defendia uma alternativa, porém votou favorável à PEC no Senado.
Na última semana da campanha, durante ato em São Luís, no Maranhão, o presidente eleito afirmou que essa seria a sua última disputa presidencial e compartilhou o desejo de que o próximo mandato seja “histórico”.
Cenário da disputa
O presidente Lula confirmou que seria candidato ainda em 2025, durante agenda em Jacarta. Na época, o petista afirmou ao presidente da Indonésia que o seu mandato terminaria em 2026, mas disse estar “preparado para disputar outras eleições”.
O petista participou da sua sétima corrida presidencial. Lula foi eleito pela primeira vez em 2002, derrotando o então candidato José Serra, e garantiu a reeleição quatro anos depois. Em 2022, concorreu novamente para o cargo e venceu no segundo turno contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Neste ano, disputou contra o filho mais velho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro. O petista repetiu a chapa da eleição anterior e foi eleito ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Durante a campanha, Lula anunciou medidas que repercutiram, como o fornecimento de canetas emagrecedoras no Sistema de Saúde Único (SUS) e a proibição das bets, além de ter prometido passe livre para toda a população aos fins de semana.
Por outro lado, essa foi a primeira disputa presidencial de Flávio. O senador teve a pré-candidatura lançada pelo partido no ano passado, com o aval do pai, em prisão domiciliar após ter sido condenado a 27 anos e três meses pela trama golpista. Após impasse e a possibilidade de escolher uma candidata à vice mulher, Flávio formou chapa pura e disputou o cargo ao lado do deputado federal Alfredo Gaspar (PL).
A candidatura de Flávio foi oficializada em julho, com a presença de apoiadores e políticos aliados, como o presidente argentino Javier Milei. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) não participou do evento. A madrasta e o enteado brigaram publicamente devido a divergências, mas fizeram as pazes e Michelle chegou a participar da campanha do senador.
Além da crise interna no PL e atritos com Michelle, a campanha de Flávio foi marcada por outras crises, como a possível relação entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o escândalo relacionado ao financiamento da cinebiografia sobre Bolsonaro e a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida.
Ao longo da campanha, Lula e Flávio chegaram a trocar críticas e participaram de dois debates no segundo turno, os únicos encontros entre os dois candidatos durante a eleição.
