
O Produto Interno Bruto (PIB) do Estado cresceu 2,21%, no último trimestre (abril, maio e junho), de 2026. O dado é do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e também apresentou a terceira revisão de meta do ano. De acordo com o Instituto, desde a primeira projeção realizada em dezembro de 2025, o percentual oscilou 0,52% para abaixo.
A primeira projeção do Ipece no final do ano passado apontava crescimento 3,00%. Já a segunda, apresentada em março deste ano, projetava 2,89% de expansão. Em junho, o ajuste chegou a 2,70% e agora em setembro, a previsão foi de 2,48%.
“Sobre a metodologia, a elaboração da previsão de crescimento da economia cearense pelo Ipece combina: a análise dos resultados do PIB Estadual e a das simulações com base nos modelos econométricos e matemáticos e a avaliação quanto ao balanço de fatores positivos e negativos que podem afetar a dinâmica da economia cearense ao longo do ano”, detalhou Witalo Paiva, analista de Políticas Públicas Ipece.
Ele lembra ainda que as análises consideram um cenário de referência, com projeções relativas ao ano corrente para as economias nacional e estadual, para os grandes setores (agropecuária, indústria e serviços) e outras variáveis, como a taxa de juros, a taxa de câmbio, a inflação e a taxa de desemprego. “Tais resultados são atualizados a cada trimestre, em conjunto com a divulgação dos resultados do PIB trimestral, e os dados empregados abrangem o período que se inicia no primeiro trimestre de 2003 até o trimestre corrente”, explicou Paiva.
Acerca do ano de 2026, o analista observa que as revisões nas expectativas de crescimento traduzem, principalmente, os resultados observados na própria evolução do PIB cearense ao longo do ano. “De fato, o resultado observado do PIB estadual é uma das principais variáveis empregadas na construção da expectativa de crescimento. Em outras palavras, o PIB do passado ajuda a prever o PIB do futuro”.
Paiva admite que esse desempenho abaixo das expectativas não era esperado, uma vez que tais expectativas vão sendo ajustadas com o passar do tempo. Por outro lado, um crescimento menos intenso compõe um dos cenários que são considerados na análise, mas com menor probabilidade de ocorrer. “Assim, embora o resultado não seja esperado, não é totalmente surpreendente e se dá em uma realidade que se percebe como natural, dentro de uma normalidade para uma economia com as características locais e mais sensível ao ambiente macroeconômico nacional”, disse.
Acima do Brasil
Apesar dos ajustes para baixo, a economia cearense sempre manteve suas metas acima do índice nacional. Para efeitos de comparação, em dezembro do ano passado, a perspectiva de crescimento do país era de 1,80%, sendo que na de março o valor apresentado foi de 1,83%, na de junho, 1,96%, e, na última em setembro, foi de 1,88%.
É importante lembrar que, desde 2021, as projeções do Produto Interno Bruto do Ceará sempre estiveram em patamares iguais ou acima do nacional, exceto em 2023, quando variou 0,20% para baixo.
Witalo Paiva finaliza destacando que a economia estadual continua crescendo, como esperado, mas em um ritmo levemente abaixo da expectativa inicial. Para ele, essa diferença entre o que foi esperado e o que foi observado na última divulgação é o que explica as revisões até aqui.