A entrada do senador Camilo Santana na coordenação nacional da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou para a disputa presidencial uma estratégia que aliados associam ao desempenho obtido pelo governador reeleito Elmano de Freitas no Ceará: forte mobilização de lideranças municipais, presença de movimentos sociais, participação da juventude e ocupação das ruas.
No Ceará, Camilo teve papel ativo na campanha de Elmano contra Ciro Gomes (PSDB), articulando prefeitos, lideranças partidárias e bases políticas em diferentes regiões do Estado. A estratégia foi acompanhada por uma ampliação dos atos de rua e pela tentativa de aproximar a campanha de movimentos sociais e segmentos mais jovens do eleitorado.
CHAMADO A BRASÍLIA
Depois da eleição estadual, Camilo foi chamado por Lula para integrar a coordenação nacional da campanha do PT no segundo turno presidencial.
A partir daí, passou a defender uma campanha com mais presença física nas cidades, maior mobilização da militância, articulação direta com lideranças políticas locais e propostas com impacto na vida dos brasileiros.
EFEITO CAMILO
Aliados passaram a chamar esse movimento de “efeito Camilo”, numa referência à tentativa de reproduzir nacionalmente parte da dinâmica adotada no Ceará. As ações defendidas por Camilo se converteram em apoio com melhoria no desempenho de Lula, acordo com as pesquisas Datafolha e Quaest.
O tempo é curto, mas Camilo já imprimiu sua marca no cenário da campanha, mesmo com as adversidades dos números da corrida presidencial.
Nos últimos dias, as ações de rua cresceram em diferentes estados, com bandeiraços, caminhadas, atos públicos e mobilizações simultâneas organizadas por apoiadores de Lula.
ARTICULAÇÃO POLÍTICA TAMBÉM GANHA PESO
A participação de Camilo não ficou restrita à mobilização eleitoral. O senador também entrou nas articulações políticas em torno de propostas que passaram a ocupar espaço na campanha de Lula, entre elas a PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada semanal.
Camilo participou das conversas para acelerar a tramitação da proposta no Senado e defender sua votação antes do segundo turno. A passagem pelo Ministério da Educação e a liderança da bancada do PT no Senado abriram as portas para articulações políticas bem sucedidas.
PÉ-DE-MEIA UNIVERSITÁRIO
Outro eixo foi a apresentação do Pé-de-Meia Universitário, proposta para 2027 que prevê auxílio mensal de R$ 700 a estudantes de baixa renda do ensino superior, além de uma poupança vinculada à conclusão do curso.
A proposta busca ampliar para as universidades a lógica do programa já direcionado a estudantes do ensino médio. O Pé-de-Meia Universitário nasce da bem sucedida experiencia com o mesmo programa que, hoje, atende quase 4 milhões de estudantes do ensino médio da rede pública.
REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL
O senador Camilo Santana apresentou, também, proposta para reduzir de 18 para 16 anos a maioridade penal em casos de crimes graves.
A medida foi apresentada por meio de emenda à PEC da Segurança Pública e está na pauta do debate do Senado.
Pela proposta, adolescentes a partir de 16 anos poderão responder como adultos em crimes como homicídio e estupro.
Camilo defende que a mudança seja restrita a delitos de maior gravidade. A iniciativa provocou divergências dentro da própria bancada do PT, historicamente contrária à redução da maioridade penal, mas foi incorporada pelo presidente Lula que passou a defendê-la.
