Suzete Nocrato reúne gerações e dá voz às mulheres do sertão em livro lançado em Fortaleza

Blog do  Amaury Alencar
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 Amigos, familiares e colegas de profissão se reuniram, no sábado (19), no Museu da Fotografia, em Fortaleza, para prestigiar a jornalista e escritora Suzete Nocrato no lançamento do livro “Vozes das Mulheres do Sertão”. A obra marca a estreia da jornalista na literatura e transforma lembranças da infância, histórias familiares e experiências vividas no interior do Ceará em crônicas sobre mulheres que deixaram marcas em sua trajetória.

Jornalista de formação, com quase quatro décadas de atuação nos principais veículos de comunicação do Ceará, mestra em Comunicação e pesquisadora, Suzete Nocrato carrega na obra as raízes de Saboeiro, município do Sertão dos Inhamuns onde nasceu e de onde vieram muitas das personagens e histórias que povoam sua memória.

A apresentação do livro é assinada pela jornalista Regina Ribeiro, que ressalta a passagem de Suzete do universo do “visto e ouvido”, próprio do jornalismo, para a liberdade da crônica.

“A jornalista Suzete Nocrato trilha o caminho do visto e ouvido a fim de revelar-se cronista”, escreve Regina, ao observar que, em seu livro de estreia, a autora busca na memória, com doses de humor e invenção, histórias familiares e experiências capazes de retratar vidas que poderiam existir em qualquer lugar.

É justamente o universo feminino que conduz a narrativa. Suzete recupera mulheres cujas histórias acompanhou ainda menina, entre conversas ouvidas no percurso da varanda à cozinha da casa dos pais, no sertão cearense.

São personagens como Branca Amélia, Mariazinha, Dilza, Beth e Margarida, entre tantas outras, que ganham vida nas páginas do livro. Mulheres diferentes entre si, mas unidas por experiências humanas que atravessam gerações.

Para Regina Ribeiro, especialmente as leitoras poderão reconhecer muito de si próprias nessas personagens. São histórias contadas de maneira suave e, ao mesmo tempo, firme, mostrando que, “no sertão, faça sol ou chuva, nasce vida para ser contada”.

Branca Amélia e a alegria de viver

Uma dessas personagens aparece em “Alegria de viver”, texto no qual Suzete recupera a imagem de Branca Amélia, mulher que despertava sua admiração desde a infância.

“Vestida com blazer marrom, sapato scarpin preto, carteira fina, andar sereno”, Branca Amélia surge nas lembranças da autora como uma mulher de elegância clássica que parecia transportar a pequena cidade do árido sertão para requintados salões europeus.

Suzete conta que, aos seis anos, observava fascinada aquela mulher atravessando as ruas e cumprimentando homens e mulheres com delicadeza. Para a menina, Branca Amélia parecia “uma deusa descida à terra”, cercada pelo brilho de uma estrela de cinema.

Mas a personagem acabaria oferecendo à autora uma lição ainda mais profunda. Viúva, Branca Amélia retornou a Saboeiro e passou a morar com uma irmã solteira e uma filha de criação. Aos 80 anos, sofreu um acidente vascular cerebral, perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo e passou meses na cama, cercada pelos cuidados dos familiares.

É nesse encontro entre fragilidade, resistência e vontade de viver que Suzete constrói uma das histórias que traduzem o espírito do livro.

Do jornalismo à literatura

Morando em Fortaleza há 48 anos, Suzete Nocrato nunca rompeu os vínculos com Saboeiro. As raízes sertanejas atravessaram sua vida profissional e pessoal e agora chegam à literatura.

Ao longo de quase quatro décadas dedicadas ao jornalismo, Suzete construiu uma trajetória marcada pela observação e pela escuta. Agora, transforma esse olhar em matéria-prima para contar histórias que estavam guardadas na memória.

Entre os desafios profissionais e pessoais, a resiliência, a criação de três filhos e a alegria proporcionada por uma neta, a jornalista mantém uma característica que considera essencial: a disposição para continuar aprendendo.

Em “Vozes das Mulheres do Sertão”, esse aprendizado ganha forma por meio das mulheres que Suzete viu, ouviu e guardou na memória. Personagens particulares de Saboeiro que, pela literatura, passam a representar experiências universais de mulheres, famílias e gerações.

Como resume Regina Ribeiro na apresentação da obra, cada história funciona, no fim das contas, como “um espelho que reflete nossa alma de mulher”.

Colega de geração de Suzete, o jornalista Beto Almeida, ao lado do filho Davi, prestigiou o lançamento de “Vozes de Mulheres do Sertão”. Beto elogiou a iniciativa literária de Suzete e a parabenizou pela obra que abre caminhos para outras produções.

                                    Ceará Agora 

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