
A Receita Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, deflagraram nesta quinta-feira (24) a Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial relacionadas à aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, os irmãos André e Bruno Tupinambá e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos e ligado às investigações envolvendo o Banco Master.
São cumpridos mandados de busca e apreensão contra 13 pessoas físicas e 19 empresas em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.
Segundo os investigadores, estruturas financeiras complexas teriam sido utilizadas para ocultar os reais proprietários de uma usina sucroalcooleira e, posteriormente, viabilizar a aquisição de uma distribuidora de combustíveis.
A investigação aponta que cerca de R$ 100 milhões teriam sido enviados para contas da usina para financiar a aquisição. Os recursos teriam circulado rapidamente por diferentes contas e empresas, incluindo estruturas de fintechs utilizadas como intermediárias.
Os investigadores também identificaram uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. Segundo a Receita, parte relevante dos recursos utilizados na aquisição de cotas de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) teria origem em fundos controlados pelo mesmo grupo investigado.
A operação também identificou uma empresa financeira envolvida nas transações que movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Para os investigadores, o volume financeiro, associado às demais evidências, reforça os indícios de uso de estruturas financeiras para ocultação patrimonial e dissimulação da origem dos recursos.
As buscas são realizadas em sete estados, com apoio de órgãos de fiscalização e forças de segurança. A operação conta ainda com a participação dos Gaecos do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.