
O Ceará é responsável por mais da metade da produção nacional de camarão. O Governo do Estado calcula mais de 16,2 mil hectares de espelhos d’água produtivos, em 72 municípios cearenses. A Bacia do Vale do Jaguaribe lidera esses resultados com 46% da área produtiva.
De acordo com a Associação dos Produtores de Camarão (APCC), a carcinicultura cearense reúne cerca de 2.500 produtores que movimentaram em torno de 120.000 toneladas e R$ 2,4 bilhões, em 2025. “O que justifica um olhar diferenciado para a carcinicultura do Vale do Jaguaribe é o fato de ser a região que mais produz camarão no Brasil, produto responsável pelo 2º maior faturamento no agronegócio do Estado”, ressalta o presidente da APCC, Luiz Paulo Sampaio Henriques.
O presidente da APCC destaca ainda que esse “olhar diferenciado” pode gerar valor agregado para o camarão do Ceará, permitindo a permanência das famílias e o uso de áreas improdutivas. “Considerando o preço médio do produto in natura na porteira da fazenda, o preço pode agregar mais 40% de valor daquilo que foi processado, em 2025, promovendo o fluxo contrário no êxodo rural e vida com dignidade para os produtores rurais, inclusive utilizando, na sua grande maioria, áreas não agricultáveis e água imprópria para consumo humano e animal”.
Zona Verde do Camarão
Para incrementar valor à carcinicultura do Ceará, está sendo desenhado um projeto chamado Zona Verde do Camarão. De acordo com o propositor da ideia, o deputado estadual Guilherme Bismark, a iniciativa conta com a parceria da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC) e tem um investimento inicial de R$ 300 mil para fazer os primeiros diagnósticos e ter parâmetros para começar o projeto no Estado.
O estudo prevê ainda mensurar a capacidade de beneficiamento que, segundo Bismark está em 30% atualmente, avaliar o potencial de atração de investimento, analisar a possibilidade de incluir a carcinicultura na rota turística do Ceará, além de criar mecanismos que facilitem processos legais e de fiscalização. “A gente quer fazer um zoneamento onde passa ter uma facilidade para o legislador e para o fiscalizador. A ideia é que se tenha uma área de fato com um olhar mais claro e específico para o desenvolvimento do Camarão, que hoje é muito forte no Vale do Jaguaribe”, explicou o parlamentar.
O projeto consiste ainda em simplificar processos de beneficiamento, especialmente para o pequeno produtor. Segundo o deputado, esse produtor acaba comercializando a sua produção somente no mercado local, pois enfrenta dificuldades logísticas, estruturais e também exigências sanitárias, inclusive para criar empresas de beneficiamento, que a depender do volume pode chegar a R$ 10 milhões.
“Eu proponho a simplificação, pois existe um beneficiamento que pode ser feito no viveiro. A pessoa que faz a despesca usa EPI, o camarão já está em água clorada, então coloca na basqueta etiquetada como dia e local da despesca, gelo limpo, caminhão isotérmico e leva para Fortaleza. É o camarão fresco que eu estou defendendo, ou seja, do pequeno produtor de até 5 hectares de lâmina d’água. Esse beneficiamento simples tira um intermediário que aumenta os custos de produção”, detalhou Guilherme Bismark.