
Em vigor a partir desta semana, o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 do Ministério dos Transportes chega com o objetivo de orientar o planejamento da infraestrutura de transportes no país até a metade deste século. O documento é uma espécie de guia para a aplicação de investimentos públicos e privados em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.
Com previsão de investimentos de R$ 1,225 trilhão em infraestrutura logística, o PNL foi elaborado a partir do Planejamento Integrado de Transportes (PIT). O plano vai destinar R$ 734,4 bilhões para ações da iniciativa privada e R$ 490,5 bilhões para o setor público.
Os corredores estratégicos serão os principais contemplados com manutenção, ampliação da capacidade de estruturas existentes e implantação de novos empreendimentos. O PNL estabeleceu 112 prioridades voltadas à solução de problemas atuais, bem como para o atendimento de demandas futuras e para o desenvolvimento regional. São 31 eixos prioritários de transporte, por exemplo, com 12 projetos para a malha rodoviária, oito para ferroviária, quatro aquaviárias e sete intermodais.
As iniciativas preveem a expansão de corredores ferroviários e rodoviários, a consolidação de hidrovias e a ampliação da infraestrutura portuária.
O ministério informou ainda que o PNL 2050 define as prioridades de investimento de longo prazo, mas, nesta etapa, não apresenta a distribuição regional dos investimentos estimados. O detalhamento dos valores será feito posteriormente, a partir da elaboração dos planos setoriais, que deverão especificar as intervenções e os investimentos previstos para cada região.
O Nordeste
Para o jornal O Estado, o Ministério dos Transporte informou que o Plano Nacional de Logística 2050 define para o Nordeste prioridades de investimento de longo prazo em rodovias, ferrovias e conexões com os principais portos da região. Entre elas estão as ligações rodoviárias do interior ao litoral e entre Fortaleza e Salvador, além da ampliação da malha ferroviária.
O Ceará
Para o Ceará, o plano prevê intervenções nas BRs 116, 020 e 304, além da CE-040 e do Arco Rodoviário Metropolitano de Fortaleza (Anel Viário). Na malha ferroviária, estão incluídas a Transnordestina, no trecho entre Eliseu Martins (PI) e o Porto do Pecém (CE), e a ligação entre Fortaleza e São Luís (MA). O Complexo Portuário de Fortaleza/Pecém também está contemplado com ampliações de capacidade.
O Ceará também integra eixos de conexão do Nordeste, de acesso aos portos e de ligação com outras regiões do país. O plano também identifica desafios relacionados ao abastecimento de produtos essenciais no estado, considerados na definição das prioridades até 2050.
Desafios
Apesar das definições de prioridades, o PNL 2050 aponta desafios importantes, sobretudo com a dependência do modal rodoviário, que atualmente responde por 54% da movimentação de cargas. O plano também identifica a baixa utilização de ferrovias e hidrovias, dificuldades de escoamento da produção, problemas de abastecimento em regiões mais isoladas e barreiras à integração entre os modais.
Segundo o Ministério, esse desafio será enfrentado com a ampliação das ações intermodais, com maior conexão entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. A ideia é reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade das exportações, melhorar o abastecimento interno e ampliar a integração do território nacional.