Desemprego cai a 5,3%, mas informalidade ganha peso na criação de vagas

Blog do  Amaury Alencar
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A taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor patamar para esse período desde o início da série histórica, em 2012. O resultado, divulgado nessa quinta-feira (27/08) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou abaixo dos 5,8% registrados no trimestre até abril e em linha com as projeções do mercado financeiro.

A queda foi sustentada pelo avanço da população ocupada, que alcançou 103,3 milhões de pessoas de 14 anos ou mais, também o maior contingente da série histórica. Em relação ao trimestre encerrado em abril, houve crescimento de 1%, com a entrada de cerca de 1 milhão de pessoas no mercado de trabalho.

Ao mesmo tempo, a população desempregada caiu para 5,8 milhões, recuo de 8% na mesma comparação, o equivalente a menos 503 mil pessoas em busca de ocupação. O nível de ocupação chegou a 58,9%, segunda maior marca já registrada e muito próximo do recorde de 59% observado no fim do ano passado.

Apesar dos números positivos, economistas identificam sinais de perda de ritmo. O rendimento médio mensal ficou em R$ 3.762 no trimestre até julho, ante R$ 3.786 até abril, queda de 0,7%. O IBGE considera o movimento estatisticamente estável, mas analistas apontam que a composição das novas vagas ajuda a explicar a perda de tração.

Destaques

A construção foi o principal destaque na geração de empregos, com acréscimo de 371 mil trabalhadores e avanço de 5,1% frente ao trimestre até abril. Houve expansão tanto na construção de edifícios quanto em obras de infraestrutura. Como o setor concentra ocupações com remuneração média inferior à de outras atividades, seu crescimento também pode ter contribuído para pressionar a renda média para baixo.

Outro ponto de atenção é a informalidade. Dos cerca de 1 milhão de trabalhadores incorporados à ocupação no período, 657 mil estavam em postos sem carteira assinada ou sem CNPJ, o equivalente a 65,6% do total. Para economistas, o dado mostra que boa parte da expansão recente está ocorrendo fora do mercado formal.

O emprego com carteira assinada, por outro lado, não apresentou retração. O total de trabalhadores formais no setor privado atingiu o recorde de 39,4 milhões. Na comparação anual, a renda ainda apresenta desempenho positivo. O rendimento médio de R$ 3.762 ficou 3,3% acima dos R$ 3.643 registrados no trimestre encerrado em julho de 2025, já descontada a inflação.

Na avaliação de Davi Azim, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), é fundamental atentar-se a fatores críticos. “Enfrentamos um cenário de juros elevados, o que torna o crédito imobiliário oneroso e impacta a viabilidade dos financiamentos. Diante dessas incertezas, o avanço do setor pode carecer de sustentabilidade a longo prazo. No que tange à renda, observa-se um incremento decorrente das transferências governamentais, que auxiliam na manutenção do poder de compra das camadas de baixa renda. Portanto, há um desalinhamento entre a percepção de estabilidade e a realidade econômica, sugerindo que a recente queda na taxa de desemprego pode não se sustentar diante desse complexo quadro macroeconômico”.

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