
O banco de perfis genéticos já ajudou a identificar 130 pessoas desaparecidas no Ceará por meio da comparação de DNA de familiares com restos mortais sem identificação. O trabalho é realizado pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) e integra a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG).
A ferramenta ganhou destaque durante a 4ª Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, iniciada na segunda-feira (24). Coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a iniciativa busca ampliar o cadastro de perfis genéticos de familiares e facilitar a identificação de pessoas desaparecidas.
No Ceará, a coleta é realizada em 11 unidades da Pefoce. Até sexta-feira (28), cerca de 17 atendimentos haviam sido realizados durante a mobilização.
Quem pode fazer a coleta?
A coleta é destinada a familiares de pessoas desaparecidas que ainda não forneceram material genético. O procedimento é gratuito e deve ser realizado, preferencialmente, por familiares de primeiro grau, como pais, mães, filhos e irmãos. No caso de irmãos, a orientação é que o material seja coletado do maior número possível de pessoas que tenham o mesmo pai e a mesma mãe.
Também é possível fornecer objetos de uso pessoal que tenham contato direto com a pessoa desaparecida, como aparelhos de barbear, escovas de dentes, cordão umbilical e dentes de leite. Esses materiais podem permitir a extração de DNA para um confronto direto.
Coleta de DNA é rápida e não utiliza agulhas
A coleta não exige exame de sangue nem o uso de agulhas. O procedimento é feito de forma rápida e indolor por meio de um swab bucal, uma haste com algodão utilizada para recolher células da parte interna da bochecha.
Após a coleta, a amostra passa por um processo de custódia e é encaminhada ao Núcleo de Perícia em DNA Forense. No laboratório, são realizadas etapas como triagem, extração do DNA, amplificação e genotipagem, até a leitura do material por um sequenciador genético.
A extração conta com plataformas robóticas automatizadas. Entre os equipamentos utilizados pela Pefoce está o analisador genético Spectrum, adquirido pela instituição no fim de 2024 e utilizado na etapa final da análise.
Após a obtenção do perfil genético, os dados podem ser inseridos nos bancos estadual e nacional para comparação com materiais de pessoas encontradas sem identificação. Dessa forma, uma amostra fornecida por um familiar pode contribuir para solucionar casos de desaparecimento mesmo quando não há outras informações capazes de indicar o paradeiro da pessoa.
