O barulho intenso, o calor e o excesso de estímulos visuais e olfativos comuns em grandes eventos podem representar um enorme desafio para pessoas neurodivergentes. Pensando em garantir que todos possam aproveitar a festividade com conforto e segurança, o Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcanti conta, pelo segundo ano consecutivo, com as salas sensoriais.
Coordenado pelo Instituto Sinapse, o projeto oferece um espaço de descompressão, regulação e acolhimento para o público de todas as idades.
Onde Encontrar as Salas?
Para esta edição, a estrutura foi expandida e estrategicamente distribuída para dar maior cobertura aos visitantes: Duas salas na "Rua da Saúde e da Educação": Localizadas na parte superior do parque, próximas ao Picadeiro e em frente ao Pavilhão I. Uma delas é de responsabilidade do Instituto Sinapse e a outra funciona em uma parceria especial com a Uninassau.
Outra sala está localizada na área do parque de diversões, garantindo um ponto de apoio rápido em uma das zonas mais movimentadas e barulhentas do evento.
Funcionamento e Atendimento Profissional
As salas funcionam todos os dias, das 9h às 21h, com atendimento totalmente gratuito.
Diferente do ano passado, quando a estrutura precisou ser montada às pressas em cerca de dez dias, o planejamento para este ano começou bem mais cedo. O projeto ganhou mais visibilidade, novos apoiadores e patrocinadores, o que permitiu aprimorar a experiência e o manejo das crises de desorganização sensorial.
“No ano passado, nós conseguimos acolher mais de 500 famílias. Mas era uma proposta que as pessoas ainda não sabiam bem o que era ou qual a finalidade. Minha preocupação é deixar claro para o familiar ou para o adulto neuroatípico que ele pode vir ao parque por que terá um lugar de suporte”, explica a coordenadora do Instituto Sinapse, Silnayra Bida.
Equipe Multidisciplinar e Voluntária
O espaço conta com uma equipe altamente capacitada de profissionais e voluntários do Instituto Sinapse, incluindo Fonoaudiólogos; Terapeutas ocupacionais; Psicólogos; Fisioterapeutas e Musicoterapeutas.
Além disso, há a atuação de estagiários e estudantes universitários de diversas instituições e áreas da saúde, como psicologia, enfermagem e fisioterapia, que passaram por treinamento prévio para realizar a mediação e o manejo adequado de cada caso.
Novidades deste Ano: Autorregulação e Interação
Com o início antecipado dos trabalhos, o espaço trouxe novidades físicas e terapêuticas importantes, como o balanço de autorregulação, ferramenta terapêutica utilizada ativamente para ajudar na modulação e organização sensorial de quem está passando por uma crise. Há o espaço de acolhimento para os pais, numa área externa pensada para que os acompanhantes também possam descansar e receber suporte.
Também na parte externa, foi montado um painel sensorial rústico, permitindo que as crianças e adultos explorem texturas e brinquem livremente, iniciando o estímulo sensorial de forma leve antes mesmo de entrar na sala.
Um Espaço para Todas as Idades
Embora as salas recebam majoritariamente crianças, Silnayra Bida reforça que o acolhimento é universal e não há limite de idade. O objetivo é atender qualquer pessoa que necessite de suporte e modulação, incluindo adolescentes, adultos e idosos. “Todos os que precisam de uma modulação sensorial, as salas estão preparadas para receber, independente dos casos. Não podemos ter distinção de público. Pelo contrário, temos que acolher a todos, independentemente de ser cadeirante ou da idade. A equipe está preparada para atender também os adultos”, finaliza a coordenadora.