Queda da inflação pode chegar ao cearense, mas depende do preço dos alimentos apontam especialistas

Blog do  Amaury Alencar
0

 

O boletim Focus, divulgado na última segunda-feira (20) pelo Banco Central (BC), apontou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano em 5,15%. O índice é 0,18% menor que o apresentado há cerca de um mês e 0,01% projetado há uma semana. O boletim calcula ainda 4,20% e 3,78% para os anos de 2027 e 2028, respectivamente.

O jornal O Estado foi ouvir especialistas para entender como essa desaceleração pode chegar ao bolso do cearense, especialmente na capital. A economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) e professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), Isadora Osterno, destacou que o resultado de junho do IPCA mostrou como Fortaleza consegue rodar em um ritmo diferente da média do país. “Embora a taxa do mês tenha ficado em 0,12%, muito próxima da nacional, o comportamento interno dos setores foi oposto. No Brasil, por exemplo, o preço dos alimentos caiu, mas aqui em Fortaleza a alimentação continuou subindo. No acumulado do ano, a capital cearense sente mais esse peso: fechamos o primeiro semestre com uma inflação de quase 4%, acima da média nacional”.

O analista de políticas públicas do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), Daniel Suliano, ratificou a importância de dois grupos para composição do índice de inflação na capital. “São basicamente dois pontos inter-relacionados com o grupo de Alimentação e Bebidas e o Transportes que tem os maiores pesos na composição do índice local”. Para se ter uma ideia, o grupo de Alimentação e Bebidas é mais de 1/5 de todo o índice.

“Assim, as famílias de menor renda destinam uma proporção maior do orçamento à alimentação. Na RMF, onde a renda média é inferior à de regiões como São Paulo e Rio de Janeiro, o grupo Alimentação e Bebidas apresenta peso relativamente maior na cesta de consumo que compõem o IPCA local. Consequentemente, quando os alimentos sobem, o impacto na RMF é amplificado”, detalhou Suliano.

O analista do Ipece trouxe o exemplo do vestuário. “Digamos que, por falta de algodão, algumas roupas dobrem de preço. Mesmo que isso aconteça, o impacto da inflação global vai ser baixo por conta do baixo peso. Pode ser alto para um ou outro consumidor, mas o índice é global, ou seja, é uma média de toda a população e não compramos roupas todos os meses do ano”, complementou.

A professora mencionou ainda fatores ligados à distância, ao clima e a questões tarifárias. “A estrutura da cesta de consumo é muito parecida, mas a dinâmica de preços acaba sendo própria da nossa região. O que muda de fato são os fatores como a logística de abastecimento, que é muito impactada pelo preço dos fretes, o impacto do clima e a data de reajuste das tarifas públicas estaduais e municipais, como energia, água e transporte. Então, dá para afirmar que a inflação daqui tem vetores de pressão um pouco diferente de outras capitais brasileiras”, observou.

Lembrando

Fortaleza fechou o primeiro semestre de 2026 com uma inflação de 3,97%. O índice foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no último dia 10 de julho, confirmando a capital cearense na quarta colocação no país, entre os maiores índices.

Postar um comentário

0Comentários
Postar um comentário (0)