Planalto vê tarifaço de 25% como cenário mais provável e atribui decisão dos EUA ao fator eleitoral

Blog do  Amaury Alencar
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Movimento no Porto de Santos: expectativa sobre o índice das tarifasJorge Silva/Reuters - 31.07.2025


No Palácio do Planalto, a aplicação de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já é tratada como o cenário mais provável para esta quarta-feira (15).

Interlocutores do governo avaliam que, apesar da intensificação das negociações nas últimas semanas, o componente político passou a pesar mais do que os argumentos técnicos nas discussões com Washington.

A diplomacia avalia que o calendário eleitoral brasileiro passou a ser visto como um fator relevante na posição americana. Ainda assim, a orientação no Planalto é aguardar o anúncio oficial antes de definir uma eventual reação.

Desde a visita do presidente Lula aos Estados Unidos, no início de maio, representantes brasileiros realizaram quatro reuniões com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, além de uma série de encontros técnicos para tentar construir uma saída negociada. Apesar dos esforços, o governo avalia que os principais pontos de divergência permanecem praticamente inalterados.

Um deles é o desmatamento. Segundo fontes ouvidas pelo blog, os Estados Unidos continuam utilizando indicadores ambientais para justificar a adoção das tarifas. Integrantes do governo brasileiro, porém, sustentam que parte dos dados apresentados pela equipe americana se refere ao período do governo anterior e não reflete a redução dos índices de desmatamento registrada nos últimos anos.

Outro impasse continua sendo o Pix. O governo brasileiro mantém a posição de que o sistema de pagamentos instantâneos não representa qualquer ameaça ao mercado financeiro americano e considera que o tema diz respeito à soberania nacional.

Na semana passada, Itamaraty respondeu formalmente aos questionamentos dos Estados Unidos, rebatendo as críticas ao Pix e defendendo também decisões do Supremo Tribunal Federal que passaram a integrar as reclamações apresentadas por Washington.

Além da tarifa de 25% em discussão para produtos brasileiros, integrantes do governo acompanham a implementação da tarifa adicional de 12,5% relacionada às novas exigências americanas sobre cadeias produtivas e combate ao trabalho forçado, medida de alcance mais amplo que afeta diversos parceiros comerciais dos Estados Unidos.

                                                 R7 

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